Banco estatal é o líder em patrocínio a clubes de futebol

Investimento da Caixa, que tem sua marca na camisa de times como Vasco e Corinthians, é de mais de R$ 90 milhões

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2013 | 02h11

Com aportes que superam a cifra de R$ 90 milhões, a Caixa Econômica Federal se tornou o principal patrocinador de clubes de futebol brasileiros. Especialistas em marketing esportivo ouvidos pela reportagem do Estado apostam que essa estratégia agressiva do banco estatal pode ter como objetivo ofuscar concorrentes que possuem estreita relação com o esporte mais popular do Brasil.

O Itaú-Unibanco é patrocinador das seleções brasileiras de futebol e da Copa do Mundo, além de ter cota para anúncios durante as transmissões de todos os campeonatos na TV. O Santander, que já foi dono da principal cota da Libertadores, ainda continua como um dos patrocinadores da competição.

O banco estatal, que tradicionalmente ampara esportes olímpicos, passou a apostar em futebol por conta da visibilidade com a proximidade da Copa 2014 - o mais comentado foi o investimento de R$ 31 milhões na parceria com o Corinthians.

A Caixa também acredita que a aposta em patrocínios trará mais espontânea à marca. O consultor de marketing esportivo Frederico Mandelli alertou, porém, para os riscos de uma presença dominante na área. "Só um banco mesmo para colocar tanto dinheiro no futebol. E o dia em que essa fonte secar?", questionou.

Segundo ele, o futebol vive atualmente uma crise de patrocínio porque os clubes pedem muito dinheiro ao passo que as empresas preferem patrocinar eventos ou jogadores individualmente, em vez de toda a equipe. "A televisão sustenta os clubes hoje", afirmou, referindo-se aos direitos de transmissão que a TV Globo negocia diretamente com cada time.

Entre os critérios para escolher os clubes, a Caixa impôs que eles não tivessem apoio de um concorrente e que disputassem as séries A ou B do Campeonato Brasileiro. No entanto, o principal obstáculo para muitos clubes foi apresentar as certidões negativas de débitos.

Esse foi o motivo de o banco estatal não patrocinar o Bahia, que tem entre seus torcedores o presidente da Caixa, Jorge Hereda. O arquirrival Vitória conseguiu comprovar situação fiscal regular e fechou o patrocínio master. Essa situação cria uma saia-justa para Hereda que, além de ser obrigado a ver a marca do banco que preside nos uniformes dos adversários, é vaiado pela torcida do Bahia.

Se quiserem entrar no rol dos times patrocinados pelos bancos, os clubes terão um tempo para pagar o que devem ao governo. A Caixa informou que pretende reabrir as negociações de patrocínio em 2014. Para a temporada deste ano, segundo o banco, o orçamento foi de R$ 100 milhões.

Nova parceria. Embora já tenha sido publicado no Diário Oficial da União a autorização do patrocínio ao Vasco e os jogadores estejam usando a marca do banco nas camisas, a Caixa diz que faltam ainda pequenos "detalhes jurídicos" para fechar o contrato de R$ 15 milhões com o clube carioca. /M.R.A.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.