Banco estrangeiro avalia que governabilidade é maior preocupação

A principal preocupação do investidor estrangeiro é a governabilidade do Brasil após as eleições. A afirmação foi feita pelo diretor de estratégia para América Latina do WestLB em Nova York, Ricardo Amorim, em entrevista ao Broadcast Ao Vivo. "Há preocupações nos dois casos. As preocupações são até maiores no caso de uma vitória, de reeleição do presidente Lula. Mas também há preocupações em relação à capacidade do Alckmin, caso ele ganhe as eleições, de conseguir avançar de forma significativa numa agenda de reformas estruturais, nas quais o Brasil não tem avançado há algum tempo", explicou.Segundo ele, se reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá uma situação mais difícil em termos de apoio no Senado, onde deverá contar com apoio de 41 senadores contra 40 na oposição. "É uma maioria apertada", ressaltou. Já Geraldo Alckmin (PSDB) terá 51 senadores na coligação, dois a mais do que o necessário para a aprovação de reformas estruturais, observou o economista.Além disso, o partido com maior número de senadores, o PFL, faria oposição, no caso de Lula e seria situação com Alckmin no governo. Para Amorim, de um modo geral, as condições que Lula enfrentaria para avançar numa agenda positiva seriam piores do que para Alckmin e apoio para medidas investigativas contra o seu governo seria bem maior. "Na parte política, pelo menos, as condições serão mais favoráveis (para Alckmin). No Senado as condições são bem mais favoráveis e na Câmara, um pouco menos favoráveis", disse Amorim.Por outro lado, o diretor observou que Alckmin poderia encontrar outras dificuldades e elas estariam, principalmente, na área social, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), cujas ações poderiam se exacerbar com uma vitória tucana. Amorim disse ainda que a volta do investidor estrangeiro ao Brasil não depende apenas do resultado das eleições, mas também, e principalmente, do cenário externo, "que independe totalmente do que acontece no Brasil"."Dependendo da evolução do crescimento da economia mundial e das taxas de juros mundiais ao longo do próximo ano, a capacidade brasileira de atração de investimento pode aumentar ou diminuir muito", avaliou.Segundo Amorim, um cenário mais negativo lá fora, com desaceleração econômica global mais significativa, a começar pelos Estados Unidos, irá afetar diretamente o Brasil. "Daí a redução de fluxo de capitais vai acontecer mesmo com avanço na agenda de reformas e mesmo que os fundamentos continuassem melhorando".FazendaNa avaliação do diretor, caso Lula seja reeleito, o mercado gostaria de ver o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no Ministério da Fazenda. "Provavelmente esta é a opção que é vista com mais bons olhos", disse.O pior cenário, segundo ele, seria a saída de Meirelles do BC, a manutenção do ministro Guido Mantega na Fazenda e uma eventual nomeação para a presidência do BC de alguém mais próximo de Mantega, que poderia "ter maior ingerência do governo nas decisões do Banco Central. "Essa é a maior preocupação", salientou.Amorim comentou ainda suas expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da próxima semana. Ele disse esperar que a taxa básica de juros, a Selic (atualmente em 14,25%) caia 0,5 ponto percentual nesta e na reunião seguinte. "Há uma série de sinalizações para redução", disse.Ele acredita ser possível que os juros continuem a cair ao longo de 2007. Para Amorim, a Selic poderá fechar o próximo ano ao redor de 12%, caso o cenário político não seja o mais favorável mas que também não chegue a ser negativo e já levando em conta uma piora do quadro externo.

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