Banco Fator: Estatização de Chávez prejudica emergentes

A nacionalização de alguns setores da Venezuela anunciada na segunda-feira pelo presidente Hugo Chávez vai prejudicar o risco dos países emergentes, de acordo com o especialista em privatizações e diretor do Banco Fator, Venilton Tadini. Segundo ele, as afirmações de Chávez de que vai nacionalizar os setores de eletricidade, telefonia e água do país podem contaminar países emergentes como o Brasil, que busca seguir dentro de uma economia de mercado. "O ato de nacionalização para países que possuem economias sem uma política fiscal eficiente, acaba se transformando em gastos sem fim. Isto reverte as expectativas de investidores que acreditam nas aplicações que realizaram. Quem pode sofrer mais com este descrédito é o país emergente que age de maneira séria e responsável", afirmou Tadini Para o Brasil, estas posturas de Chávez não são boas, disse Tadini. "O grau de risco das economias será elevado, com os investidores podendo se afastar também de países próximos. Isso não é bom."O economista Sérgio Vale, da MB Associados, discorda da opinião. Para ele, apesar de a decisão do governo Hugo Chávez ser "o pior sinal possível para a economia da Venezuela", ela não deve contaminar as avaliações sobre a economia do Brasil, onde a privatização do setor de telefonia está consolidada.Para Vale, o anúncio feito por Chávez na última segunda-feira traz preocupações sobre o futuro da economia venezuelana, onde já era perceptível o aumento da participação do Estado no setor petroleiro. Em especial, sobre a capacidade de o Estado venezuelano investir nesse setor que demanda alta tecnologia, injeções constantes de recursos e retorno compatível. "A nacionalização certamente provocará atrasos para a evolução desse setor no país, além de indicar o interesse do governo Chávez controlar os meios de comunicação de forma generalizada".De acordo com o economista, somado a outros movimentos e omissões da América do Sul, o anúncio feito por Chávez poderá interferir nas decisões de investimento estrangeiro no continente. Entre esses movimentos está a previsão de repique inflacionário na Argentina depois das eleições presidenciais, marcadas para 28 de outubro deste ano, quando o controle de preços aplicado pelo governo Néstor Kirchner tenderá a ser flexibilizado. As pressões internas no país em favor da reestatização do setor de petróleo e também de saneamento são igualmente preocupantes. A situação ainda indefinida sobre os rumos da economia do Equador, cujo novo presidente, Rafael Correa, assumirá na próxima segunda-feira, também gera expectativas nos mercados. Para Vale, igualmente ruim é a situação de paralisia do governo Luiz Inácio Lula da Silva neste início de seu segundo mandato e a perspectiva de que, se vier a ser anunciado neste mês, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não trará as medidas necessárias para a expansão da atividade econômica do País.Com relação ao Mercosul, ao qual a Venezuela ingressou em 2006 como seu quinto membro pleno, Vale acredita que o impacto da decisão de Chávez será praticamente nulo, mesmo em relação às negociações comerciais entre o bloco e a União Européia. "O Mercosul está virtualmente morto. Não há um processo dinâmico de negociação nem mesmo sobre temas agrícolas por parte do bloco. Essas discussões são conduzidas pelo Brasil", afirmou. Matéria alterada às 15h18 para acréscimo de informações

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