Banco faz apostas em plataforma digital para atrair clientes

Lançamento do banco digital será feito nas próximas semanas; cerca de 3 mil clientes já utilizam os serviços

Mônica Scaramuzzo e David Friedlander, O Estado de S.Paulo

07 Novembro 2016 | 05h00

O BTG Pactual está criando uma carteira de clientes para atender em uma plataforma digital. Essa operação será oficialmente lançada no fim deste mês e já conta com cerca de 3 mil usuários, que já utilizam os serviços em caráter experimental.

Roberto Sallouti, copresidente do banco, evita fazer projeções de metas para esse novo negócio do banco, mas está bem animado. “É um movimento que achamos relevante e o banco está focado nessa revolução digital”, disse. Segundo ele, o futuro está na desintermediação do negócio. “É uma área estratégica para o banco.”

Embora não haja metas concretas, Sallouti acredita que esse novo filão pode atingir, nos próximos anos, uma carteira de até 50% do valor do total gerido pelo banco no segmento “wealth management” (gestão de fortunas). De acordo com dados do segundo trimestre do BTG, a área de grandes fortunas tem sob gestão R$ 67,4 bilhões.

O cliente do banco digital é totalmente diferente do perfil tradicional atendido pelo BTG. Para participar do seleto grupo de “wealth management”, é preciso ter, no mínimo, R$ 10 milhões. Na plataforma digital, o limite mínimo para se investir em fundos é de R$ 30 mil. Mas, o cliente poderá investir R$ 3 mil por fundo. O processo de abertura de conta é 100% online, sem intermediário.

Com esse novo negócio, o BTG Pactual passa a seguir uma tendência que começa a se expandir entre os bancos de varejo do Brasil e do mundo.

Começo. Quando assumiu o BTG Pactual, o banqueiro André Esteves queria abraçar o mundo. O banco diversificou sua atuação e se posicionou como uma instituição global ao anunciar a compra do suíço BSI, em julho de 2014. A instituição – que cresceu por meio de aquisições (foi fundado ao comprar as operações do Pactual do suíço UBS) – tinha planos de se associar ao Bradesco e colocar seus pés no varejo.

Em 2012, o BTG deu um passo arriscado com a compra do banco Panamericano, que pertencia ao empresário Silvio Santos, dono do SBT. Após a crise no fim do ano passado, vendeu as divisões da Pan Seguro e Pan Corretora para a francesa CNP. Mas ainda está com o banco Pan nas mãos.

Sallouti disse que não há intenções de se desfazer do Pan, por enquanto. “Os resultados financeiros não refletem a melhora operacional do banco. Estamos convictos que, em muito breve, os resultados financeiros do Pan vão refletir a melhora operacional que já teve.” O mesmo vale para os 30% que detém no suíço BSI. O BTG deve analisar nos próximos dois a três anos o que deverá fazer com essa fatia. Por ora, é o que restou ao BTG de seu antigo plano de globalização.

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