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Banco festejam e analistas dizem que não haverá milagre

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) classificou de "momento histórico" a aprovação do cadastro positivo na Câmara, mas analistas independentes acreditam que, na melhor das hipóteses, ele terá efeito prático na vida de pessoas e empresas - por meio da redução da taxas de juros - apenas dois ou três anos após a implementação. Para ser constituído de fato, o cadastro ainda tem de passar pelo plenário do Senado. Se for alterado, voltará à Câmara para nova apreciação dos deputados. "Para nós, é um momento histórico", diz o diretor-geral da Febraban, Wilson Roberto Levorato.Segundo ele, a inadimplência média no Brasil é de 5%. "Hoje, os outros 95% pagam por esses 5%, pois não sabemos quem é o ?bom?. Com mais informações, esse ?bom? será objeto de desejo dos bancos." Ele ressalta que a avaliação otimista é válida se o projeto original não sofrer grandes alterações no Legislativo.Levorato afirma que não é possível estimar com antecedência o tamanho da redução potencial de juros ao cliente final. O que se sabe é que, atualmente, a inadimplência responde por 37,5% do spread (diferença entre a taxa de juro que os bancos pagam na captação dos recursos e a que cobram dos clientes). "O IFC (braço financeiro do Banco Mundial) diz que, no longo prazo, o cadastro positivo faz as taxas caírem."O analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu, explica que a ideia do cadastro positivo é "premiar" o bom pagador. "Mas os bancos têm de se dispor a premiá-lo", observa."É um avanço muito bom, mas não se deve esperar que seja um elixir milagrosos, que fará o spread despencar em três meses." Segundo Santacreu, leva-se um bom tempo até que o banco tenha dados amplos e consistentes. "Serão necessários de dois a três anos para ocorrer uma redução dos juros cobrados dos clientes", afirma. O professor do campus de Ribeirão Preto da USP Alberto Borges Matias é mais cético. "Cadastro positivo e taxa de juros não estão ligados", afirma. Segundo ele, os índices de inadimplência em países que adotam birôs do gênero são semelhantes aos do Brasil. "É mais um uso para marketing do que para concessão de crédito. As instituições vão oferecer mais produtos para os mesmos clientes, mas isso não significará queda das taxas." Um ponto polêmico do cadastro diz respeito à privacidade do consumidor, uma vez que várias informações a seu respeito estarão disponíveis para todo o sistema financeiro - bancos, financeiras, operadoras de cartões de crédito, varejistas, construtoras, etc. "Esse é um caminho complicado em termos de privacidade", diz Borges Matias. Levorato, da Febraban, discorda. "O bom pagador terá interesse em ampliar cada vez mais o conhecimento sobre seu cadastro", avalia. "Não se trata de entrar na vida particular das pessoas."

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

20 de maio de 2009 | 00h00

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