Banco foi envolvido em empréstimos a José Carlos Bumlai

Instituição quebrou e foi absorvida pelo BMG após socorro feito pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC)

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2016 | 17h00

Desde 2011, o Banco Schahin não pertence mais à família, mas os negócios gerados pela instituição parecem cada dia mais permear a história do grupo. A Operação Lava Jato, por exemplo, trouxe à tona um negócio feito pelo banco que, segundo investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, alçou o grupo ao mundo bilionário do petróleo. A empresa era dona de diversas plataformas e tinha contratos de US$ 15 bilhões com a Petrobrás. E foi um empréstimo dado pelo Banco Schahin, de R$ 12 milhões, a José Carlos Bumlai, pecuarista amigo de Lula, que teria alavancado esses negócios. Bumlai foi preso em função desse empréstimo, pois o dinheiro teria sido usado para pagar dívidas de campanha do PT. Isso aconteceu em 2009.

Dois anos depois, o banco quebrou. Tinha um rombo de mais de R$ 1 bilhão e foi socorrido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que emprestou dinheiro para sanear o banco e, assim, ser vendido para o BMG. Os mineiros assumiram a instituição porque tinham carteiras de crédito muito parecidas. Atuavam principalmente no ramo de consignado e crédito para automóveis.

Mas o Banco Schahin, na época, não era considerado no mercado como um bom negócio, porque parecia mudar o foco com frequência, segundo profissionais de instituições concorrentes. O banco também levou a uma crise na família. Um dos patriarcas, Milton, culpou o sobrinho Carlos Eduardo, o Cadu, presidente da instituição na época, pela quebra.

Cadu assumiu o banco em 2008 e, há dois anos, foi condenado pela Justiça Federal a quatro anos de prisão por manter depósitos de valores não declarados no exterior em nome de offshore constituída nas Ilhas Virgens Britânicas, a Hodge Hall Investments. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade. A assessoria de imprensa não informou se o banqueiro recorreu da decisão.

Na sentença, o juiz Marcelo Cavalli disse que o banqueiro usou a Hodge Hall como uma empresa de fachada e que o endereço de funcionamento era na Rua Vergueiro, 2009, mesmo endereço do banco. Segundo a acusação do Ministério Público Federal, em 31 de dezembro de 2001, o saldo mantido na conta do banqueiro era de US$ 2,913 milhões. O valor mínimo a exigir declaração ao Banco Central era de R$ 200 mil.

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