Spencer Platt/AFP
A Nasdaq é a Bolsa americana de empresas de tecnologia. Spencer Platt/AFP

Banco Inter estuda migrar para a Bolsa americana Nasdaq em busca de alcance global

Listada na B3, a instituição está na fase final de estudos para entrar Bolsa de empresas de tecnologia, onde já estão listadas XP, PagSeguro e Stone

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 11h06

Em paralelo ao investimento de R$ 2,5 bilhões que receberá da Stone, o Banco Inter está na fase final de estudos para listar-se na Nasdaq, Bolsa americana de empresas de tecnologia. De acordo com comunicado enviado pela instituição à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a atual base acionária será transferida para uma nova empresa, constituída nas Ilhas Cayman, que vai abrir capital no mercado dos Estados Unidos. Isso resolveria um questionamento antigo ao preço das ações do Inter, visto como alto por parte do mercado, mas justificado por outra parte pela forte presença digital do banco.

Os atuais acionistas do Banco Inter, que é listado na B3, a Bolsa brasileira, seriam migrados para a Inter Plataform, Inc, empresa que seria registrada na Securities and Exchange Comission (SEC, a CVM americana). Após a listagem na Nasdaq, essa nova empresa teria Brazilian Depositary Receipts (BDRs) - recibos de empresas estrangeiras - negociados na B3. 

O Inter afirma que, com a criação de um ecossistema de produtos e serviços que vai além do setor bancário, tem a pretensão de atingir alcance global. A instituição acredita que, ao entrar no mercado internacional, poderá ampliar ainda mais a base de clientes e consolidar seu posicionamento como uma plataforma digital completa.

Com a listagem na Nasdaq, o Inter espera fortalecer-se como companhia global de tecnologia no setor financeiro, além de aumentar a base de investidores. Além disso, segundo o banco, será mais fácil comparar seu valor ao de outras instituições semelhantes que já são listadas na Nasdaq.

Essa mudança traria espaço para que os múltiplos das ações do Inter, considerados altos por analistas, subissem ainda mais. Em geral, empresas negociadas na Nasdaq conseguem negociar a um prêmio ante pares listadas em outros mercados, justamente pela maior disposição daquele mercado em pagar preços maiores por companhias com forte pegada tecnológica. No setor financeiro, as brasileiras XP, Stone e PagSeguro são listadas na Bolsa americana.

Em outro ponto, a mudança de listagem permitiria ao Inter emitir ações com voto plural, ou supervoto. Segundo o banco, esse mecanismo facilitaria futuros aumentos da base de capital para assegurar que, mesmo investindo no próprio crescimento, o banco não deixará de cumprir as obrigações de capital definidas pela legislação.

Ainda não há data para que a reorganização aconteça. Como ela ainda está em fase de estudos, as condições podem ser alteradas.

Estrutura

 A mudança começaria pela incorporação das ações do Banco Inter pela Inter Holding, negócio da família Menin que controla o banco. Os acionistas receberiam o direito a ações da holding, que logo depois seriam resgatadas. O pagamento pelo resgate seria feito com a entrega de ações classe A ou BDRs da futura Inter Plataform ou, então, com o pagamento em reais do valor das ações, a ser definido em laudo de avaliação.

 As ações de classe A da Inter Plataform teriam direito a um voto cada, e as ações de classe B, que seguiriam com os Menin, dariam direito a voto plural. As ações de classe B não seriam listadas em nenhuma bolsa, mas poderiam ser convertidas em ações de classe A, na razão de um para um.

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Stone anuncia investimento de R$ 2,5 bi no Banco Inter e ganha vaga no conselho da instituição

Empresa de ‘maquininhas’ vai passar a deter até 4,99% do capital da instituição financeira controlada pela família Menin; fintech fará oferta subsequente de ações e vai transferir listagem de seus papéis para os EUA

Matheus Piovesana e Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 09h53
Atualizado 24 de maio de 2021 | 20h50

As ações do Banco Inter saltaram quase 25% nesta segunda-feira, 24, fechando a R$ 223,29, depois de a empresa de maquininhas Stone ter anunciado, pela manhã, que vai investir até R$ 2,5 bilhões no banco digital. Em paralelo a esse investimento, o Inter anunciou que vai realizar uma oferta de primária de ações subsequente (follow-on). O investimento dará à Stone, empresa brasileira listada na Bolsa de tecnologia americana Nasdaq, uma vaga no conselho de administração do banco digital, que ganhou R$ 11 bilhões em valor de mercado em apenas um dia.

O preço por ação que a Stone concordou em pagar é de R$ 57,84 e leva em consideração o desdobramento dos papéis na proporção de um para três, aprovado na última semana pelo banco. Esse investimento colocará a Stone ao lado dos atuais controladores do Banco Inter – a família Menin, também dona da construtora MRV, comanda o negócio e detém 35,35% do capital.

A empresa fechará um acordo de acionistas com os atuais controladores do Inter. Por meio dele, terá direito de preferência caso haja mudança no controle do banco. Esse direito terá validade de seis anos e estará sujeito a determinados limites de preço. 

O JP Morgan foi o assessor financeiro da Stone. A assessoria legal ficou por conta de Spinelli Advogados, Mattos Filho, Veiga Filho, Marrey Jr. e Quiroga Advogados.

Nova listagem

Em paralelo ao investimento de R$ 2,5 bilhões que receberá da Stone, o Banco Inter está na fase final de estudos para ser listado na Nasdaq. De acordo com comunicado enviado pela instituição à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a atual base acionária será transferida para uma nova empresa, nas Ilhas Cayman

Isso resolveria um questionamento antigo ao preço das ações do Inter, visto como caro por parte do mercado. Após a ida à Nasdaq, essa nova empresa teria Brazilian Depositary Receipts (BDRs) a serem negociados na B3.

O Inter justifica a mudança ao afirmar que, com a criação de um ecossistema de produtos e serviços que vai além do setor bancário, tem a pretensão de atingir alcance global. 

De acordo com relatório do Citi, a parceria com a Stone concede ao Inter acesso a canais de distribuição de última geração e capacidades no segmento de pequenas e médias empresas, segmento no qual o banco tem investido recentemente.

Efeitos positivos

Para o BTG Pactual, a negociação entre Stone e Inter foi uma “surpresa absolutamente positiva”.  A oferta subsequente de ações pode chegar a cerca de R$ 5 bilhões, de acordo com o banco, considerando que a empresa se comprometeu a pagar R$ 2,5 bilhões por uma fatia de 4,99% na instituição da família Menin.

A oferta ainda não tem data certa para ocorrer, mas, segundo Eduardo Rosman, analista do BTG Pactual, deve ser em breve. “Todos ganham em todas as partes: Inter, Stone, clientes e acionistas”, avalia.

Em relação à Stone, ele cita a necessidade de a empresa acelerar a digitalização de seus comerciantes e buscar outras fontes de financiamento. “Vemos a transação como uma vitória para ambos e reiteramos tanto o Inter quanto a Stone em nossa lista de top picks (ações mais recomendadas para compra)”, acrescenta Rosman.

O Citi, no entanto, não vê a situação sob o mesmo prisma. “A parceria é de fato complementar aos negócios de Stone, mas vem com um preço alto, incerteza sobre monetização e competição elevada entre os bancos digitais”, dizem os analistas Gabriel Gusan, Jörg Friedemann e Karina Salva Martins. Sendo assim, o Citi mantém recomendação “neutra” para as ações da Stone. O preço-alvo em 12 meses é de US$ 69. /COLABOROU FABIANA HOLTZ

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