Banco Julius Baer, da Suíça, entra no mercado brasileiro

Instituição, uma das maiores gestoras de fortunas da Suíça, deve anunciar em breve a compra de participação em gestora do País

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2011 | 00h00

O Julius Baer, líder no setor de private banking na Suíça, vai começar a operar no mercado brasileiro este ano. Atraído pelo bom desempenho da economia brasileira nos últimos anos, o grupo vai comprar a parte minoritária de uma empresa brasileira do setor. Segundo fontes, a empresa que está sendo negociada tem capital 100% nacional e foi criada há menos de dez anos.

O banco suíço deverá trabalhar principalmente com as operações de wealth management - administração de grandes fortunas. "Já no ano passado nós identificamos que o Brasil era um dos mercados mais promissores para as operações desse tipo", afirmou o CEO Boris Collardi, que confirmou o início das atividades no País, mas não precisou uma data específica.

O Brasil será o oitavo país da América Latina a contar com as operações do grupo suíço - elas já são realizadas em países como Argentina, Chile, Peru, Uruguai e Venezuela. As cidades do Rio de Janeiro e de Belo Horizonte também estão na mira do grupo para receber novos escritórios. "Precisamos identificar onde está o nosso maior potencial (no Brasil) para atender diversos locais", disse Collardi. Ao todo, são 40 escritórios do Julius Baer espalhados por 20 países.

Em fevereiro deste ano, Collardi já havia sinalizado o desejo de ingressar no mercado brasileiro por meio de aquisições.

A compra de uma empresa brasileira ocorre, principalmente, porque vai permitir ao Julius Baer realizar operações em reais. "Vamos focar nossas atividades no Brasil, que, para nós, é o mercado mais promissor de wealth management no mundo", disse Collardi.

Outro fator que pesou para a entrada do Julius Baer no País é o crescente número de milionários brasileiros. Em 2010, uma pesquisa divulgada pela consultoria americana Boston Consulting Group apontou que o Brasil tem 127 mil famílias com patrimônio acima de US$ 1 milhão.

Antes do Brasil, a grande aposta do banco foi a Ásia, onde as operações começaram há quatro anos. Dessa forma, a expectativa de Collardi é criar um grande corredor com a China. "A gente pode trazer para os brasileiros o nosso know-how sobre o mercado asiático", afirmou Collardi. "E o mundo também quer saber como anda o Brasil."

Resultado. Fundado em 1890, o Julius Baer é o principal grupo de private banking da Suíça. No ano passado, os ativos totais de clientes somaram R$ 478 bilhões e os ativos sob gestão avançaram 10%, para R$ 309 bilhões. Em relação aos investimentos realizados pelo banco no ano passado, eles ficaram divididos principalmente entre bonds (28%), ações (26%) e fundos de investimento (20%).

Na comparação com os números de anos anteriores, chama a atenção o crescente aumento do investimento em ações.

Em 2008, o porcentual era de apenas 19%. No ano seguinte, essa participação pulou para 22%. Sobre o mercado acionário brasileiro, a avaliação de Collardi é que chegada do Julius Baer vai trazer "um grande valor para os investidores". "Vamos trazer a nossa expertise internacional sobre o mundo para o investidor local", garante o executivo.

PARA LEMBRAR

Número de milionários cresce no País

Uma pesquisa do Boston Consulting Group apontou que os brasileiros com patrimônio superior a US$ 1 milhão aumentaram a sua importância na economia brasileira nos últimos anos. Em 2008, a participação desse grupo era de 41% da riqueza do País. No ano seguinte, pulou para 44%. Em março deste ano, a revista Forbes indicou que a quantidade de bilionários no País também subiu, passando de 18, em 2009, para 30, em 2010. Somadas, essas fortunas chegam a US$ 131,3 bilhões. O homem mais rico do País é Eike Batista, com patrimônio estimado em US$ 30 bilhões.

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