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Banco Lavra vende prédio para pagar credores

Uma semana depois de sacramentado, o acordo que pôs fim aos dez anos de falência do Banco Lavra começou a levantar dinheiro para os credores da instituição. Foram cerca de R$ 21 milhões, arrecadados com o leilão da antiga sede do banco, realizado na quarta-feira. Ao todo, o banco deve R$ 60 milhões.

David Friedlander, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

Situado a alguns passos da Avenida Paulista, um dos principais centros financeiros do País, o prédio de 13 andares tinha preço mínimo estipulado de R$ 17,5 milhões. Foi comprado por um grupo de pequenos empresários, que prefere não se identificar. Eles vão reformar o prédio e depois pretendem alugá-lo.

O acordo que encerrou a falência do Lavra chamou a atenção da praça por um motivo: ao contrário do que normalmente acontece, desta vez as vítimas de um banco quebrado possuem chances reais de recuperar 100% do que tinham na instituição quando ela quebrou.

Como o banco não tinha patrimônio suficiente para cobrir as dívidas, seus ex-controladores, a família Papa, fizeram um acordo com a Justiça e entraram com seus bens pessoais para bancar a diferença. Preferiram limpar o passado de uma vez e assim liberar a maior parte do patrimônio da família, que esteve bloqueado pela Justiça todo esse tempo.

Descendentes de italianos, até os anos 90 os Papa tiveram posição de destaque na sociedade paulista. Foram donos de vários negócios, participaram da política local e chegaram a mandar em dois ícones de projeção nacional: a Sociedade Esportiva Palmeiras e a Federação do Comércio do Estado de São Paulo.

Abalo. O Lavra quebrou em 2000, por má gestão, e abalou a família. Amigos contam que ninguém passou necessidade, mas para alguns deles o tempo de fartura acabou. Por causa do bloqueio da Justiça, alguns imóveis ficaram sem manutenção e acabaram se deteriorando. No momento mais agudo da crise, os Papa passaram a brigar entre si. Um deles, por exemplo, mandou pendurar faixas na rua para acusar e cobrar parentes pelas dívidas do Lavra.

Para liquidar as dívidas, criaram-se dois fundos que serão administrados pelos próprios credores. Num deles foram colocados terrenos, escritórios e fazendas que eram do Lavra ou que foram entregues agora pela família Papa. Os próprios credores vão administrar esse fundo, vender os imóveis e repartir o resultado. A sede do Lavra estava nesse conjunto.

O segundo fundo é constituído por dois edifícios comerciais dos Papa, além da mansão onde mora a matriarca da família. Funcionará como garantia. Se o primeiro fundo não for suficiente para levantar os R$ 60 milhões, os credores começarão a vender os imóveis do segundo.

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