Banco Mundial reduz projeção para o PIB do Brasil e cita corrupção

Entidade espera agora uma retração de 1,3% da economia brasileira neste ano, ante uma alta de 1% em documento divulgado em janeiro; previsões para 2016 e 2017 também foram reduzidas

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2015 | 17h33

O Banco Mundial cortou a previsão de crescimento do Brasil em 2015 e para os próximos dois anos, de acordo com um relatório divulgado nesta quarta-feira chamado "Perspectiva Econômica Global" que faz uma atualização sobre o cenário da economia mundial. A previsão para este ano é que a economia brasileira encolha 1,3%. Em um documento anterior, divulgado em janeiro, a instituição estimava expansão de 1% para o país.

O Brasil foi o país que teve o maior corte de projeções entre as principais economias mundiais avaliadas no documento do Banco Mundial. Além do corte em 2015, a projeção para o ano que vem foi reduzida de crescimento de 2,5% previstos em janeiro para 1,1%. Para 2017, a nova estimava é de expansão de 2% no Produto Interno Bruto (PIB), ante 2,7% do documento anterior.

"O Brasil, com o seu escândalo de corrupção no topo das atenções, tem tido pouca sorte, afundando no crescimento negativo" afirma o economista-chefe do Banco Mundial, Kaushik Basu, no texto que apresenta o relatório.

O estudo do Banco Mundial classifica de "decepcionantes" os números da atividade econômica brasileira. "Confiança frágil dos agentes, aumento dos preços administrados e baixo preço das commodities devem contribuir para uma recessão no Brasil em 2015 com uma recuperação modesta em 2016 e 2017", afirma o documento. Além destes motivos, o relatório menciona as deficiências em infraestrutura no Brasil como outro fator a impedir um maior aquecimento da atividade. Sem citar o nome da Petrobras, o Banco Mundial afirma que as "investigações em curso" ajudaram a piorar a confiança dos consumidores e empresários, que atingiram níveis historicamente baixos.

A expectativa de recuperação da atividade do Brasil, ainda que modesta, em 2016 e 2017, está baseada, de acordo com o documento, na implementação do ajuste fiscal e monetário, na volta da inflação para perto da meta oficial e na melhora da confiança dos brasileiros.

América Latina. A piora da atividade do Brasil e em outros países da América do Sul, como a Venezuela, deve fazer a América Latina crescer apenas 0,4% este ano, prevê o Banco Mundial. Em janeiro, a aposta era de expansão de 1,7%. No ano que vem, a expectativa é que a taxa avance para 2%, ainda assim menor que os 2,9% estimados em janeiro.

Ainda na região, o México teve a previsão de crescimento cortada em 0,7 ponto, para expansão de 2,6% este ano. A Argentina foi uma das exceções e teve melhora na previsão de 1,4 ponto, com crescimento previsto para este ano em 1,1%. As economias da América Latina, além de enfrentarem problemas internos, ressalta o relatório, são afetadas pela queda dos preços das commodities. 

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