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Banco Mundial corta projeção de crescimento do PIB do Brasil e prevê desaceleração global em 2019

Instituição vê recuperação mais lenta do que esperado e economia brasileira puxa para baixo perspectivas da região em 2019

Beatriz Bulla, correspondente

04 de junho de 2019 | 17h00

WASHINGTON - O Banco Mundial voltou a reduzir a projeção de crescimento econômico do Brasil. A estimativa da instituição para o PIB nacional no ano de 2019 foi cortada de 2,2% em janeiro para 1,5%. No ano passado, a organização internacional chegou a prever crescimento de 2,5% na economia brasileira para este ano. Os economistas do banco avaliam que os indicadores de atividade econômica continuam lentos, apesar de condições de crédito terem apresentado alguma melhora.

“O impulso no Brasil está se firmando gradualmente, apesar de em um ritmo mais lento do que esperado”, avaliam os responsáveis pelo relatório de junho do Banco Mundial sobre as perspectivas econômicas globais.

A situação da economia brasileira foi um dos fatores que puxou para baixo as perspectivas de crescimento na América Latina e Caribe. O crescimento regional deve ficar na casa de 1,7% segundo o banco – 0,4 ponto porcentual menor do que a estimativa anterior. A revisão para baixo do crescimento do México também influenciou o resultado latino-americano. Ainda segundo o banco, os impactos fiscais e sociais da crise na Venezuela devem ser crescentes na região.

Os maiores riscos para as perspectivas da América Latina incluem fontes internas e externas, segundo os economistas da instituição. A escalada de uma guerra comercial entre China e Estados Unidos pode ter reflexos nas exportações e investimentos. A desaceleração econômica mais acentuada das duas maiores economias do mundo também pode gerar impactos em países da região, como Brasil, Chile e Peru.

Para 2020, a perspectiva da instituição é de que o Brasil cresça 2,5%, quando “a fraca recuperação cíclica deve ganhar força”. O crescimento na América Latina e Caribe, segundo o banco, virá especialmente do consumo privado, com a manutenção da inflação a níveis moderados e retorno da confiança. Em 2020 e 2021, a perspectiva é que haja uma recuperação do investimento fixo.

Global

O banco também prevê um crescimento global de 2,6% em 2019, o que é 0,3 ponto porcentual menor do que a projeção de janeiro. Para 2020, a previsão é de 2,7% de crescimento da economia mundial. A perspectiva mostra desaceleração do crescimento, estimado em 3,0% em 2018.

A revisão é resultado de tensões comerciais, problemas estruturais que desestimulam investimento e desacelerações mais acentuadas em economias importantes.

“O ímpeto atual da economia permanece fraco, enquanto a elevação dos níveis de endividamento e a moderada expansão do investimento nas economias em desenvolvimento estão impedindo os países de atingirem seus potenciais. Os países precisam urgentemente fazer reformas estruturais significativas que melhorem o clima de negócios e atraiam investimentos. Também necessitam priorizar a gestão e a transparência da dívida, para que novas dívidas aumentem o crescimento e o investimento”, avalia o presidente do Banco Mundial, David Malpass.

Nas consideradas economias avançadas, há registro de uma desaceleração do crescimento puxado pela zona do euro. O Banco Mundial espera ainda uma desaceleração na economia dos Estados Unidos, de crescimento de 2,9% em 2018 para 2,5% em 2019 e 1,7% em 2020.

Para a China, a previsão é de crescimento de 6,2% em 2019 – frente a 6,6% em 2018. Entre as razões para o crescimento chinês mais baixo estão a desaceleração do comércio mundial e estabilidade do preços de commodities, por exemplo.

Já entre os países de baixa renda, o crescimento deve crescer 5,4%, o que, segundo a instituição, ainda é insuficiente para produzir reduções substanciais da pobreza. “A menos que possam entrar em uma trajetória de crescimento mais acelerado, a meta de reduzir a pobreza extrema em 3% até 2030 permanecerá inalcançável”, afirmou Ceyla Pazarbasioglu, vice-Presidente de Crescimento Equitativo, Finanças e Instituições do Banco Mundial

Entre os países em desenvolvimento ou emergentes, categoria na qual o Brasil é incluído, o crescimento esperado é de 4% em 2019. O nível é o mais baixo em quatro anos, devido ao estresse financeiro e incertezas políticas nos países, aumento da dívida pública e investimento abaixo de médias históricas em razão do “crescimento mundial lento, espaço fiscal limitado e restrições estruturais”.

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