Banco Mundial defende em Davos plano de estímulo fiscal global

Na abertura do Fórum, debatedores pedem ação coordenada com emergentes para combater a crise mundial

Daniela Milanese, enviada especial da AE

28 de janeiro de 2009 | 09h30

Um plano de ação global, coordenado entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Essa é a receita de combate à crise apresentada por especialistas e autoridades na abertura do Fórum Econômico Mundial,  em Davos, na Suíça. Vozes de diferentes pontos do mundo concordam que o multilateralismo é o caminho para resgatar as economias da profunda desaceleração em curso.  Veja Também:Desemprego, a terceira fase da crise financeira global De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise "Nós precisamos de um pacote de estímulo fiscal global", afirmou o vice-presidente sênior e economista-chefe do Banco Mundial, Justin Yifu Lin. Segundo ele, a estratégia deve contemplar um mecanismo de transferência de recursos para os países em desenvolvimento que não têm condições de arcar com medidas desse tipo.Está em debate uma nova era econômica, na qual os emergentes já estão plenamente inseridos e agora fazem parte das discussões sobre os problemas que explodiram nos países desenvolvidos."Esta é a primeira crise de nossa história que não foi criada por nós", afirmou o presidente do Dogus Group, da Turquia, Ferit Sahenk. Para ele, este é um momento para ações coletivas, no qual o G-20 tem papel importante. "Os emergentes estão em perigo e, se a situação durar mundo, pode resultar em uma crise social."A Turquia é um dos emergentes mais afetados pela crise. Com déficits e menos preparado para enfrentar a turbulência, o país vê sua moeda perder valor rapidamente."Precisamos sair dessa situação juntos", defendeu o ministro de Finanças da África do Sul, Trevor Manuel. Segundo ele, os investimentos em seu país estão recuando e a situação para o curto prazo é difícil.A China já adotou um mega pacote de estímulo, com investimentos destinados à infraestrutura e proteção social. Lin, do Banco Mundial, acredita que a medida é suficiente para garantir um crescimento do PIB chinês entre 7% e 8% ao ano.O presidente do Morgan Stanley para a Ásia, Stephen Roach, concorda que o viés multilateral é o mais apropriado para a solução da crise. Mas, avalia que a dificuldade está na execução dos planos. "O problema é que não há mecanismos para fazer com que os países cumpram (as determinações), não há como punir os que se comportam mal."Já para Heizo Takenaka, diretor do Global Security Research Institute da Keio University, os países não devem se basear somente em pacotes de estímulo, até porque a existência de déficits limita essa possibilidade. "Devemos usar todos os tipos de esforços, o global e o regional." Com sugestão para enfrentar a crise, ele sugere a adoção de uma política de administração de falências, para evitar que a situação se agrave. Segundo Takenaka, a nacionalização de bancos deve ser evitada. "A injeção de capital nas instituições é a melhor política."Stephen Roach, do Morgan Stanley, vê a necessidade de buscar um mecanismo para precificar os ativos tóxicos, o maior problema enfrentado pelos bancos atualmente. "Estamos em uma recessão global e não há solução rápida", disse. "Nosso trabalho é fazer do anêmico crescimento mundial um tijolo para um futuro mais sustentável."A necessidade de reformular o Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a ser levantada em Davos. "O FMI precisa ter uma melhor representação do mundo em desenvolvimento", afirmou Ferit Sahenk, da Turquia.

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