Banco Mundial define perdão da dívida de países pobres

Os membros do Banco Mundial (Bird) conseguiram neste domingo um acordo que permitirá o perdão da dívida dos países mais pobres com os órgãos multilaterais no valor de até US$ 55 bilhões. O Comitê de Desenvolvimento do Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) informaram sobre o acordo ao final de uma reunião que coloca fim à Assembléia anual das duas instituições. O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, insistiu hoje na necessidade de destinar recursos adicionais ao Banco Mundial, para que o órgão não fique descapitalizado após o cancelamento da dívida dos países pobres. O FMI e o Grupo dos Oito (G-8) prometeram contribuir com dinheiro extra para suprir os recursos que deixarão de ser pagos devido ao perdão das dívidas. Mas Palocci manifestou suas dúvidas sobre o que chamou de "adicionalidade", ou contribuição extra de dinheiro, e mostrou preocupação hoje com a proposta em andamento, em discurso no Comitê de Desenvolvimento, um órgão conjunto do FMI e do Bird. O ministro garantiu estar "muito preocupado" com qualquer iniciativa que mude o atual mecanismo de financiamento e o transforme "simplesmente em um sistema de desembolso de doações". Para impedir que o Bird enfrente problemas de liquidez no futuro, Palocci se mostrou partidário de um acordo com estritas cláusulas legais sobre a contribuição de fundos, para assegurar, desse modo, a saúde financeira da entidade. O ministro também defendeu a aprovação da Rodada de Doha e lembrou que o acordo comercial geraria lucros anuais no valor de aproximadamente US$ 250 bilhões até 2015. Palocci insistiu que "um terço do lucro global" seria acumulado nos países em desenvolvimento. Com isso, os países ricos poderiam evitar o pagamento de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em ajuda externa, um compromisso a longo prazo que assumiram na Cúpula de Monterrey, em 2000.

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