Banco Mundial indica infra-estrutura para acelerar crescimento

O economista-chefe do Banco Mundial, François Bourguignon, disse hoje que o Brasil precisa ampliar os investimentos em infra-estrutura para acelerar o crescimento. Segundo ele, o País precisa encontrar "espaço fiscal" para isso. O economista também afirmou que a maior abertura comercial favorece o crescimento dos países, mas reconheceu que o Brasil está em meio a negociações internacionais e comentou que o Banco Mundial está do lado dos emergentes."É absolutamente urgente criar as condições para que o crescimento se acelere no Brasil", comentou o economista.Nesse sentido, ele defende uma reestruturação dos gastos públicos e políticas macroeconômicas que aumentem a eficiência da aplicação dos gastos e maior liberação de recursos para os investimentos necessários. Um dos principais motivos do baixo crescimento foi o fato de o País "não ter investido muito" em infra-estrutura. A breve análise foi feita por Bourguignon depois de participar, ontem, na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), no Rio, de debate sobre desigualdade social.Ele concordou que é verdade que o Brasil não tem crescido, nas últimas duas décadas, à mesma velocidade que outros países. No ano passado, o Produto Interno Brasileiro (PIB) avançou 2,3%, abaixo da média da América Latina e acima, na região, apenas do Haiti, com base nos dados da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).Abertura das importaçõesNa última sexta-feira, Bourguignon participou de encontro fechado na Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), com a presença de representantes do governo e industriais, sobre a abertura comercial e conseqüências para o País. O assunto vem sendo analisado desde o segundo semestre do ano passado pelo ministério da Fazenda.Questionado sobre a resistência do setor industrial brasileiro à perspectiva da redução de tarifas de produtos industriais, o economista comentou que quando se discute a abertura do comércio não importa quem perde ou quem ganha no curto prazo, já que todos ganharão no longo prazo. "A questão é saber quem vai abrir primeiro", disse, ao citar negociações do País com outras regiões.Ele explica que os países desenvolvidos admitem abrir seus setores agrícolas, desde que os em desenvolvimento façam concessões na área de produtos industriais. Bourguignon complementou que a instituição defende a abertura das economias mais fortes e comentou que "no Banco Mundial estamos do lado dos países emergentes e em desenvolvimento".O banco prega "maior eqüidade na arena global". A instituição defende que os países ricos devem "continuar a liberalização do mercado nos termos da Rodada de Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC), permitir que os países pobres usem drogas genéricas e desenvolver padrões financeiros adequados aos países em desenvolvimento.

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