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Banco Mundial melhora projeção para Brasil e prevê alta de 1,1% do PIB em 2017

Entidade também mudou a estimativa para a contração do PIB neste ano, que passou de -4% para -3,2%

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2016 | 14h47
Atualizado 05 de outubro de 2016 | 17h16

O Banco Mundial melhorou suas projeções de crescimento para o Brasil e trabalha com estimativas mais otimistas que as do Fundo Monetário Internacional (FMI). A entidade espera que o PIB tenha contração de 3,2% neste ano e expansão de 1,1% em 2017. Em relatório divulgado em junho, os percentuais eram -4,0% e -0,2%, respectivamente. A mais recente projeção do FMI, anunciada terça-feira, é de contração de 3,3% em 2016 e crescimento de 0,5% no próximo ano.

Apesar da visão mais otimista, o economista-chefe do Banco Mundial para a América Latina e Caribe, Augusto de la Torre, disse que o Brasil enfrenta um processo de ajuste "mais complicado" que o de muitos países da região em razão da relação entre as políticas fiscal e monetária e do elevado patamar dos juros. "O problema das altas taxas de juros no Brasil vai além das questões fiscais e está relacionado de maneira particular com a história do sistema financeiro", afirmou o economista, durante divulgação de relatório semestral da instituição sobre a região.

Segundo ele, o anúncio de um ajuste fiscal sólido deveria gerar um "efeito confiança" e provocar a redução automática da taxa de juros. Mas problemas estruturais podem impedir que isso ocorra no Brasil. E a redução dos juros é um elemento essencial do próprio equilíbrio fiscal, já que a maior parte do déficit público tem origem nos juros que incidem sobre a dívida. "Se a política monetária se vê obrigada a subir um pouco a taxa de juros, isso aumenta o déficit fiscal, porque aumentam os pagamentos de juros da dívida."

Torre defendeu reformas que modifiquem a atuação dos bancos públicos e alonguem os prazos dos contratos financeiros. "Essa agenda deveria complementar a fiscal, para que possa haver a redução da taxa de juros", afirmou. "Os dois grandes mistérios da América Latina são por que o Brasil tem uma taxa de juros tão alta e porque o México não cresce", afirmou.

A região passou os últimos cinco anos se ajustando ao movimento de queda dos preços das commodities e desaceleração da economia chinesa, que impulsionaram seu crescimento na década anterior. O desafio agora é encontrar novos motores de expansão em um cenário de mudança estrutural no ambiente externo. "Não estamos em uma situação transitória", disse Torre. "Os preços das commodities não vão se recuperar e a China vai crescer ao redor de 6% por um longo período."

Exportação. O caminho sugerido pelo Banco Mundial é a expansão das exportações, mesmo diante da queda do comércio internacional e do aumento de pressões protecionistas em vários países. No relatório A grande mudança: retomando o crescimento por meio do comércio, a instituição sugere que os países da região adotem políticas que levem à mobilização de capital e recursos humanos em setores voltados à produção de bens e serviços que possam ser exportados.

"Se o Brasil resolver seus problemas transitórios na parte econômica e conseguir fazer reformas que lhes dê taxas de juros mais normais, será aberto um espaço enorme para que o país cresça na base da criatividade e da criação de bens e serviços para a exportação", disse Torre. Dados do Banco Mundial indicam que, se medidos em volume e não em preço, os embarques brasileiros crescem desde o fim de 2015.

O economista ressaltou que a maior integração regional é um dos antídotos para as pressões protecionistas que ganham força em países desenvolvidos. Mas ele ressaltou que ela tem de ir além de questões tarifárias e abranger regulações que facilitem a criação de cadeias produtivas que se espalhem por vários países.

A transição para um modelo mais voltado às exportações também depende de um ajuste que amplie os investimentos, com a consequente redução do consumo. Torre ressaltou que grande parte do reequilíbrio em conta corrente de países da região, entre os quais o Brasil, foi obtido com a contração dos investimentos. "É um problema redistributivo, que demanda um debate político para que ajuste no consumo seja equitativo. Não e uma transição fácil."

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