Banco Mundial: países emergentes liberalizaram mais

Os países ricos aplicam tarifas ao setor agrícola nove vezes superior ao que aplicam no setor industrial. A constatação é do Banco Mundial que alerta que os países em desenvolvimento foram os que mais liberalizaram suas economias na última década e aponta que as barreiras mais protecionistas ainda estão na Europa e Estados Unidos, dificultando as exportações das economias mais pobres. Em dez anos, a tarifa média cobrada sobre um importação no mundo passou de 14,1% para 9,4%. A redução foi de 33%. Mas segundo a entidade, foram os países em desenvolvimento que mais promoveram medidas de liberalização do comércio e já estão convergindo rumo às taxas cobradas pelos países ricos. No geral, os países emergentes cortaram em 46% suas tarifas de importação, contra uma redução apenas marginal por parte dos países ricos.O resultado é que, hoje, os países ricos tem uma tarifa média de importação de 6% contra 11% nos emergentes. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), americanos e europeus insistem que sem uma maior abertura do setor industrial pelos países emergentes, não haverá acordo. Hoje, a África é quem tem as maiores tarifas, com 26%. Mas reduziu em 50% a média em uma década. A menor taxa está na Europa Central, com 7%. Mas a América Latina não está distante, com 9%.Em menos de dez anos, o Egito reduziu suas tarifas de importação de 47% para 17%, a Índia de 32% para 15%, Maurício de 18% para 3,5% e a China de 14% para 10%. Se na média os países ricos tem as tarifas mais baixas, o Banco Mundial alerta que isso não é suficiente para mostrar quem são os mais protecionistas.Isso porque os ricos também aplicam tarifas de mais de 350% e, principalmente, sobre os produtos de interesse dos países emergentes. A título de comparação, o Banco Mundial mostra que a maior tarifa cobrada na América Latina é de 108,1%. Para o Banco Mundial, não há dúvidas de que são as economias emergentes que mais sofrem para exportar seus produtos de alto valor agregado diante desses picos tarifários. A escalada tarifária é mais grave exatamente nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com taxas bem acima dos países em desenvolvimento. A OCDE reúne 30 países, que produzem mais da metade de toda a riqueza do mundo. O Brasil não faz parte da organização.O Banco Mundial admite que todos os países tem barreiras ao comércio de alimentos. Mas a média mais alta está entre os ricos. Nos países mais pobres, a tarifa sobre bens agrícolas é 1,4 vezes a taxa cobrada sobre bens industriais. Nos países ricos, a taxa sobre a agricultura é nove vezes maior que nos demais setores.Para o Banco Mundial, os problemas não acabam com as tarifas. Segundo o levantamento, são os países ricos quem tem as maiores barreiras não-tarifárias e que protegem de forma mais agressiva alguns setores. O resultado é que, apesar de terem sido os que mais liberalizaram suas economias, são os países pobres que mais sofrem para exportar. No geral, esses países precisam pagar 32% a mais em tarifas que os países ricos.

JAMIL CHADE, Agencia Estado

17 de junho de 2008 | 15h13

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