Banco Mundial pede que América Latina invista mais nos pobres

O presidente do Banco Mundial, Paul Wolfowitz, afirmou hoje que a América Latina precisa crescer mais para reduzir a pobreza, mas também fazer uma aposta maior na educação e em programas que permitam uma melhor distribuição da renda. "A América Latina não tem um crescimento sólido o suficiente para promover uma grande mudança" nos níveis de pobreza, disse Wolfowitz em entrevista coletiva na qual lembrou o efeito social positivo das altas taxas de crescimento na Ásia. Wolfowitz lembrou que na China, onde o Produto Interno Bruto (PIB) se expande a uma taxa de aproximadamente 10% ao ano, "300 milhões de pessoas saíram da pobreza" nas duas últimas décadas. "Uma das grandes perguntas é como crescer mais rápido", disse Wolfowitz, que, entretanto, também afirmou que os países latino-americanos devem se perguntar "o que fazer para distribuir melhor o crescimento existente". O presidente do Banco Mundial (BM) destacou programas como o Bolsa Família, que liga assistência à presença de crianças na escola. "É uma iniciativa positiva", disse Wolfowitz, acrescentando que o programa "oferece a possibilidade de obter melhores resultados na redução da pobreza, inclusive com um crescimento mais limitado". O antigo "número dois" do Pentágono afirmou que a aposta nos pobres beneficia todos, e lembrou um relatório produzido no ano passado pelo BM que sustenta que o acesso dos setores menos favorecidos à educação se traduz em maior crescimento. Wolfowitz destacou o "elevado rendimento" do investimento em educação. "Podem ser obtidos resultados melhores (...) inclusive com um crescimento limitado", destacou. Pobreza caiu apenas 1% A redução da pobreza na América Latina foi de menos de 1% entre 2002 e 2005, segundo o BM. A situação é especialmente difícil para os países mais pobres, como Bolívia, Honduras e Nicarágua, que crescem abaixo da média e, por isso, terão ainda mais problemas para eliminar a praga da extrema pobreza. Assim, a América Latina fica atrasada em relação a outras regiões do mundo que já cumpriram os objetivos de desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, adotados no ano 2000 para, entre outras metas, reduzir pela metade as taxas de pobreza até 2015, em comparação com os níveis de 1990. Entre os países bem posicionados estão os do Leste da Ásia, que reduziram a pobreza extrema - número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia - de 29,5% em 1990 para 11,6% em 2002. Os líderes asiáticos esperam que o número caia para 0,7% até 2015.

Agencia Estado,

20 Abril 2006 | 16h57

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