Banco Mundial prevê desaceleração moderada da China

O Banco Mundial (Bird) afirmou, em relatório econômico sobre o leste da Ásia, divulgado hoje, que a China enfrenta riscos cada vez maiores para o crescimento, devido ao enfraquecimento do mercado imobiliário no país. No entanto, a instituição pondera que existe um "amplo espaço" para o ajuste da política monetária, o que faz com que a China ainda possa passar por uma desaceleração moderada.

HÉLIO BARBOZA, Agencia Estado

22 de novembro de 2011 | 08h31

O mercado imobiliário da China pode enfrentar uma correção que afetará a demanda dos consumidores do país, os bancos e os governos locais, afirma o relatório. "O setor imobiliário geralmente é usado por bancos formais e informais como colateral (garantia) ou como investimento, e por isso é um risco crescente para o sistema bancário e para os credores informais", acrescenta.

"Como as famílias chinesas tendem a colocar mais dinheiro à vista e ter hipotecas menores, uma desalavancagem com a magnitude vista nos EUA é improvável", afirma o Banco Mundial. "Ainda assim, correções nos preços dos imóveis ainda teriam um forte impacto sobre a demanda doméstica e o sentimento dos consumidores." A dependência dos governos locais em relação à venda de terrenos para geração de receita implica que eles também serão afetados por uma correção no mercado imobiliário, segundo o relatório.

Apesar disso, a China ainda tem amplo espaço para injetar estímulos monetários e fiscais se necessário, especialmente porque a inflação chegou ao pico e está em queda, diz o Banco Mundial. "Assim, enquanto os ajustes nos mercados imobiliários puderem ocorrer de forma apropriada, ainda pode haver uma aterrissagem suave para a China", afirma o banco, referindo-se à possibilidade de o país evitar um declínio súbito e agudo nas condições econômicas.

Projeções

O Banco Mundial prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) da China tenha crescimento de 9,1% neste ano, abaixo da estimativa de 9,3% feita em abril. O banco também ajustou para baixo sua previsão para o crescimento do PIB chinês em 2012, de 8,7% para 8,4%.

Em relação à inflação, o Banco Mundial elevou suas previsões. ELe agora espera que o índice de preços ao consumidor da China aumente em 5,3% neste ano, contra uma previsão anterior de 5%. Para 2012, a estimativa do Banco Mundial subiu de 3,4% para 4,1%.

Ásia

No relatório, o Banco Mundial também prevê que o crescimento econômico dos países do leste da Ásia continua em desaceleração, principalmente devido ao enfraquecimento da demanda externa. O fato ressalta a necessidade de os governos se concentrarem em alavancar a demanda local e a produtividade - em meio a incertezas na Europa e à desaceleração do crescimento global.

O Bird prevê que o PIB do leste da Ásia crescerá 8,2% em 2011 e 7,8% em 2012. Isso se segue a uma desaceleração no crescimento da região, de 9,1% no último trimestre de 2010 para 8,5% no 2º trimestre de 2011.

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