Banco Mundial prevê queda de 1,1% no PIB brasileiro em 2009

Organização revê para baixo a previsão para este ano; segundo relatório, recuperação da economia virá em 2010

BBC Brasil, BBC

22 de junho de 2009 | 07h12

A economia brasileira deverá encolher 1,1% neste ano, segundo uma nova previsão divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Mundial. A organização reviu para baixo sua previsão para o Brasil para este ano. Em março, o Banco Mundial havia previsto um crescimento de 0,5%.

 

Veja também:

especialAs medidas do Brasil contra a crise

especialAs medidas do emprego

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise 

A projeção do Banco Mundial contrasta com a do governo brasileiro. Em maio, o Ministério do Planejamento previu um crescimento de 1%. A organização prevê uma recuperação do PIB do Brasil a partir do ano que vem, com um crescimento de 2,5% em 2010 e de 4,1% em 2011.

 

Segundo as previsões do Banco Mundial, a economia global deve cair 2,9% neste ano, sua primeira contração desde a Segunda Guerra Mundial, uma vez que os mercados financeiros globais continuam debilitados e as perspectivas de fluxo de capital para os países em desenvolvimento são fracas. A projeção é mais pessimista do que a feita em março, de contração de 1,7%, segundo agências internacionais.

 

Nas previsões do Banco Mundial, o comércio internacional deve experimentar a queda mais forte desde a Segunda Guerra Mundial; o desemprego, que já é elevado nos países desenvolvidos, deve subir nas economias mais dependentes das exportações no Leste Asiático; e os investidores globais diminuirão a exposição nos mercados emergentes.

 

O PIB mundial deve se recuperar apenas em 2010, quando crescerá, segundo o Banco Mundial, 2%. Em 2011, a expansão econômica deverá ser de 3,2%.

Relatório

As previsões fazem parte do relatório Global Development Finance 2009, que adverte para uma queda acentuada nos fluxos de capital para os países em desenvolvimento neste ano.

Segundo o relatório, a escassez de crédito decorrente da crise financeira mundial deve fazer o fluxo líquido de capitais para os países em desenvolvimento cair a US$ 363 bilhões neste ano, após ter atingido um pico de US$ 1,2 trilhão em 2007 e de já ter baixado a US$ 707 bilhões no ano passado.

O Banco Mundial adverte que "o risco de crises de balanço de pagamentos e reestruturações de dívidas corporativas em muitos países merecem uma atenção especial" e diz que a recuperação da economia global exige "uma rápida implementação de reformas" e um eventual afastamento dos governos da participação no sistema financeiro e a retomada do controle privado sobre o sistema bancário.

O relatório comenta ainda que os países da América Latina e do Caribe entraram na atual crise muito mais preparados do que em ocasiões anteriores, com fundamentos econômicos mais sólidos, mas que ainda assim foram bastante afetados por conta da queda nos preços internacionais das commodities e da fuga de capitais estrangeiros de fundos de investimentos.

A organização observa ainda que o sistema de câmbio flutuante adotado na maioria dos países da região ajudou-os a absorver grande parte do choque inicial da crise e evitar problemas nos seus sistemas financeiros mesmo com a queda nos mercados de capitais.

América Latina

O Banco Mundial prevê uma queda de 2,2% nas economias da América Latina e do Caribe neste ano, contrastando com uma previsão de crescimento de 1,2% nas economias em desenvolvimento como um todo.

A organização observa, porém, que se forem excluídas Índia e China do cálculo, as economias em desenvolvimento deverão sofrer uma queda de 1,6% neste ano.

Os países desenvolvidos, porém, deverão sofrer ainda mais com a crise, com uma queda prevista de 4,5% na zona do Euro, de 3% nos Estados Unidos e de 6,8% no Japão.

 

(com Agência Estado)

Tudo o que sabemos sobre:
crise financeiraPIBBanco Mundial

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.