Martin Mejia/ AP
Martin Mejia/ AP

Banco Mundial reduz previsão para o PIB global e alerta para risco de estagflação

Projeção do banco para o crescimento global caiu de 4,1% para 2,9%; para o Brasil, estimativa subiu de 1,4% em janeiro para 1,5% agora

André Marinho, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2022 | 11h15

Em meio à guerra na Ucrânia e à persistência da pandemia, a economia mundial enfrenta crescente riscos de estagflação - fenômeno definido como período prolongado de crescimento econômico lento combinado com inflação em alta. O alerta é do Banco Mundial, que cortou a previsão para expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do planeta em 2022 de 4,1% projetado em janeiro para 2,9% agora.

Segundo o relatório "Prospectos Econômicos Globais", divulgado nesta terça-feira, 7, a instituição também reduziu a estimativa para avanço da atividade no mundo em 2023, de 3,2% para 3%. Para 2024, a expectativa também é de alta de 3%.

"A guerra na Ucrânia, lockdowns na China, interrupções na cadeia de suprimentos e o risco de estagflação estão prejudicando o crescimento. Para muitos países, a recessão será difícil de evitar”, disse o presidente do Grupo Banco Mundial, David Malpass.

A análise compara o contexto atual com o quadro observado na década de 1970, com desequilíbrios de oferta, perspectivas de aperto monetário e perspectivas negativas para a atividade econômica. Por outro lado, a entidade internacional considera que o avanço dos preços de commodities é mais contido que naquela época, instituições financeiras estão mais sólidas e os bancos centrais têm mandato mais claro pela estabilidade de preços.

O Banco Mundial acredita que a inflação deve moderar no ano que vem, mas ainda acima das metas dos BCs. O documento adverte que o cenário inflacionário pode causar uma acentuada desaceleração da economia global e, como consequência, deflagrar crises financeiras em mercados emergentes.

A entidade defende a importância de medidas globais e nacionais para mitigar as consequências econômicas do conflito entre Rússia e Ucrânia. Para o Banco, serão necessárias ações para limitar o impacto nos grupos mais vulneráveis, atenuar os efeitos da escalada de preços de petróleo e alimentos, aumentar alívio de dívidas e expandir a vacinação global contra o coronavírus.

Os governos também devem evitar políticas que causam distorções, como controles de preços, subsídios e restrições a exportações, na visão do Banco Mundial. "Contra o cenário desafiador de maior inflação, crescimento mais fraco, condições financeiras mais apertadas e espaço limitado para a política fiscal, os governos precisarão priorizar os gastos para o alívio direcionado para as populações vulneráveis."

Projeção de crescimento maior no Brasil

O Banco Mundial também revisou a previsão para crescimento do PIB brasileiro em 2022, para 1,5%. Em janeiro, a instituição havia projetado que a maior economia da América Latina cresceria 1,4% este ano.

A entidade, por outro lado, cortou drasticamente a estimativa para a expansão econômica do Brasil em 2023, de 2,7% para 0,8%. Para 2024, a expectativa é de um avanço de 2%.

Segundo a análise, após um começo de ano "sólido", o País deve registrar enfraquecimento das condições, à medida que a inflação elevada pressiona a renda das famílias. A estagnação de investimentos de empresas e incertezas políticas também são citadas como responsáveis pelo cenário.

O documento ressalta que programas extraordinários para permitir o saque de fundos de seguro contra desemprego trarão alívio às famílias, mas podem impulsionar a inflação. "Em 2023, o impulso fraco e os efeitos em curso da política monetária apertada nos investimentos e na atividade devem limitar o crescimento", avaliou a entidade.

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