Banco não financia produção e vive da tesouraria, diz Dirceu

O ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, disse hoje que os juros cobrados pelos bancos são um dos entraves para o crescimento econômico e acusou o sistema bancário de não financiar a produção e o investimento e viver "da tesouraria". Segundo ele, o governo vai reduzir a taxa de juros real para níveis compatíveis com o crescimento. "A grande pergunta que fica é se os bancos vão reduzir a taxa de juros na mesma proporção", disse Dirceu, durante palestra em São Paulo. De acordo com o ministro, "não há nenhuma hipótese de o País crescer com juros para cartão de crédito entre 7,5% e 10% ao mês". Para ele, os bancos cobram taxa de 40% a 60% ao ano das empresas quando a inflação oscila entre 4% a 6%. "Essa é uma questão de pactuação política", afirmou. "Todos os setores sociais têm consciência que têm que fazer sua parte, e têm feito". Apesar das críticas, Dirceu disse que tem confiança de que o sistema bancário trabalhará para reduzir os juros, mas fez uma advertência. "Todos estamos juntos nesse esforço. Porque se não for assim, o País terá um problema político para resolver", afirmou. "E o País tem um Congresso Nacional para resolver os problemas políticos".Ele disse que ao longo dos últimos anos o sistema bancário conseguiu "tudo o que pediu". Citou como exemplos a internacionalização do sistema financeiro, a possibilidade de fusão entre instituições, o Proer (programa de ajuda aos bancos), a criação do Sistema Brasileiro de Pagamento (SBP) e a cobrança de tarifas para compensar as despesas do setor. O ministro ainda citou a nova lei de falências em discussão no Congresso.

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