Banco nega que vá sair do País, mas deve desistir de corretora

Em nota, instituição diz que Brasil é estratégico, mas suspende negociações da compra da Corretora Intra

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

17 de janeiro de 2009 | 00h00

Em meio à maior crise de sua história, o Citigroup tenta de todas as maneiras fazer caixa. Nesse ambiente, surgem especulações sobre a venda de filiais ao redor do mundo, entre elas a brasileira. A instituição negou ontem, por meio de nota, que vá sair do País. Mas várias mudanças já estão em curso. Uma fonte ligada ao banco disse ao Estado que a compra da Corretora Intra, anunciada em junho passado, deverá ser suspensa. "Não é mais o foco", afirmou.O Citibank começou a operar no Brasil há mais de um século, mas nunca ocupou as primeiras colocações do ranking. Segundo o site do Banco Central (BC), em setembro de 2008, a instituição era a 11º maior do setor, com ativos totais de R$ 39,9 bilhões. O Banco do Brasil (BB), líder naquele momento, tinha ativos de R$ 444,7 bilhões. Domingos Pandeló, professor de Finanças do Ibmec São Paulo, observa que o Citi Brasil encolheu bastante ao longo de 2008. Para se ter uma ideia, em dezembro de 2007, os ativos totais da instituição somavam R$ 56,2 bilhões. "Isso pode ter ocorrido em consequência da própria crise", disse. "A operação no Brasil é saudável."Por isso, analistas especulam desde o ano passado que haveria interessados em comprar a filial brasileira. Nos cálculos de Luís Miguel Santacreu, analista de instituições financeiras da Austin Rating, o eventual comprador teria de desembolsar algo entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões. Ele tomou por base o valor de transações fechadas recentemente no País, como a venda da Nossa Caixa para o BB. No comunicado divulgado ontem, o banco disse que "o Brasil foi confirmado como estratégico para a companhia e para o futuro do Citi dentro da nova estrutura do Citicorp". "Não há nenhuma intenção de vender o negócio no País."Na visão dos especialistas, porém, o banco não fez nada além do óbvio em uma situação como esta. "Negar interesse na venda é a tradição no setor", disse Pandeló. "Anunciar publicamente que está à venda provocaria uma onda de especulação que, por sua vez, levaria a uma fuga de depósitos e ao aumento da inadimplência", completa Roy Martelanc, professor da Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP). Para os dois acadêmicos, a realidade é bem mais dura para o Citi do que fez crer o comunicado. Ambos argumentam que a direção do banco tem hoje uma autonomia limitada para tomar algumas decisões, em razão dos sucessivos aportes feitos pelo governo dos Estados Unidos nos últimos meses. Ontem, por exemplo, as autoridades americanas informaram que estão dispostas a garantir até US$ 301 bilhões em ativos problemáticos da carteira do Citi, a maioria deles vinculados a hipotecas. "O governo americano pode forçar o banco a vender ativos ao redor do mundo", comentou Pandeló.

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