Banco Postal: governo nega fim do contrato com Bradesco

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, voltou atrás e negou nesta quinta-feira que vá cancelar o contrato da Empresa de Correios e Telégrafos com o Bradesco para a operação do Banco Postal. Ele havia dito em dezembro, no Palácio do Planalto, que tinha a aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para cancelar o contrato e que a intenção era de que os Correios assumissem sozinhos a prestação do serviço, que permite operações bancárias, como depósito e retirada de dinheiro e pagamento de contas. "Não foi nestes termos", disse o ministro, tentando minimizar suas declarações anteriores. "O Chávez (o presidente da Venezuela, Hugo Chávez) é que faz isso. Eu não."Em entrevista coletiva, o ministro disse que o próprio contrato do Banco Postal contém uma cláusula - a de número 17 - que permite a revisão dos termos do acordo caso uma das partes esteja insatisfeita. "O que eu estou pedindo, com dois anos de antecedência para o fim do contrato, é para rediscutir o contrato", afirmou. Apenas uma negociaçãoAinda nesta quinta-feira, no final da tarde, Costa procurou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para pedir que ele inicie as negociações com o Bradesco. Segundo ele, Mantega deve receber nos próximos dias o presidente do banco, Márcio Cypriano. Hélio Costa admitiu que uma solução possível seria melhorar os termos contratuais e manter a parceria com o Bradesco. "Não existe a intenção de romper, mas como o contrato só tem mais dois anos de duração vim aqui alertar para um assunto que precisa ser discutido de imediato", disse ele, ao deixar o Ministério da Fazenda. "Queremos rever o contrato para que seja mais vantajoso para os Correios", acrescentou.O ministro disse que, caso o Bradesco não tenha interesse em rever o contrato, outros bancos como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal podem assumir o lugar. "O Banco Postal é um sucesso, mas nós achamos que ele tem que ser fortalecido", afirmou. "Hoje a movimentação do Banco Postal por ano é o dobro do que o Bradesco pagou", alegou Hélio Costa. O Bradesco pagou, em 2001, R$ 300 milhões pela concessão, cujo objetivo era prover serviços bancários em pequenas localidades.Ao ser questionado sobre quais aperfeiçoamentos o governo faria no contrato, Costa limitou-se a afirmar: "o governo quer uma parceria melhor. Hoje não temos uma parceria". Ele disse que os funcionários dos Correios apoiaram a iniciativa do Ministério e ressaltou que aqueles que trabalham no Banco Postal continuam ganhando como se fossem empregados da empresa estatal e às vezes trabalham duas ou três horas a mais que os outros colegas da mesma agência. "Hoje os Correios dão o local, dão o funcionário e treinam esses funcionários".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.