Banco rebaixa recomendação sobre Brasil

O banco de investimento Merrill Lynch rebaixou a recomendação feita a seus clientes sobre os papéis da dívida do Brasil de overweight (peso acima da média) para marketweight (peso na média). Devido a essa decisão, houve alterações na carteira recomendada da dívida de emergentes e a Merrill Lynch elevou a locação em cash para acima da média e também a recomendação das dívidas da Bulgária e da Venezuela de dentro da média para acima da média. Nada a ver com a economia brasileira A decisão da Merrill Lynch de rebaixar a recomendação da dívida do Brasil não teve nada a ver com os fundamentos da economia brasileira e sim com uma deteriorações das condições técnicas para os mercados emergentes, segundo o diretor de pesquisa e estratégia para mercados emergentes do banco, Tulio Vera. A redução na exposição aos papéis brasileiros, explicou o analista, está relacionada com um ambiente externo mais desfavorável por conta da recente correção de preços dos títulos do Tesouro norte-americano. Em razão disso, a Merrill Lynch elevou a sua alocação em "cash" de neutra para 8% peso acima da média, assumindo uma postura mais cautelosa e defensiva na sua carteira recomendada de dívida para os mercados emergentes. Bovespa O estrategista-chefe de ações para América Latina da Merrill Lynch, Robert Berges, está mantendo a sua recomendação overweight (peso acima da média) para a Bovespa, apesar de a instituição ter rebaixado a recomendação para a dívida brasileira. "As nossas razões para elevar a exposição à Bovespa, cujo elevação na recomendação aconteceu há duas semanas, permanecem em grande parte inalteradas", afirmou Berges. Segundo ele, a razão para o rebaixamento na recomendação da dívida foi o impacto negativo do recente e forte aumento nos yields nos títulos do tesouro norte-americano sobre toda a classe de ativos de dívidas de emergentes. O rebaixamento, portanto, não foi motivado pelos fundamentos da economia brasileira."Contudo, a postura mais cautelosa em relação à dívida do Brasil indica uma volatilidade maior para as ações brasileiras, pelo menos até que os papéis da dívida se estabilizem", disse ele. Por conta disso, Berges decidiu, dentro da sua carteira recomendada para a Bovespa, reduzir sua exposição aos bancos brasileiros, de "marketweight" (peso na média) para "underweight" (abaixo da média) e elevou a exposição às ações de empresas exportadoras, por exemplo, da Vale, de peso na média para peso acima da média.Berges explicou que, quando elevou a recomendação da Bovespa há duas semanas, para peso acima da média, minimizou o risco de um ambiente mais desfavorável para o mercado de dívida de emergentes, uma vez que ele relaciona tal movimento ao desempenho das treasuries. "Ficaríamos muito mais preocupados, por exemplo, se víssemos uma decepção mais significativa do mercado em relação à recuperação da economia global ou se ficássemos mais negativos em relação às perspectivas das reformas estruturais no Congresso ou de corte de juros no Brasil. Nenhum desses aspectos parece ser o caso neste momento."

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