Banco Mundial reduz previsão de crescimento global no ano para 2,8%

Previsão dos EUA foi revisada para baixo, e da zona do euro, para cima; emergentes terão o 4º ano de avanço decepcionante

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2015 | 02h06

NOVA YORK - O Banco Mundial divulgou ontem a previsão de crescimento de 2,8% para a economia mundial este ano, abaixo dos 3% previstos em um relatório divulgado em janeiro. Entre os principais países, os Estados Unidos vão crescer menos que o inicialmente previsto, enquanto a zona do euro teve os números melhorados. Já os emergentes e economias em desenvolvimento devem ter o quarto ano consecutivo de crescimento decepcionante, com exceção da Índia, que deve liderar a expansão mundial, de acordo com um relatório "Perspectiva Econômica Global".

A economia mundial deve voltar a crescer em ritmo mais forte em 2016 e 2017, avaliam os economistas do Banco Mundial. Para estes dois anos, a previsão de expansão foi mantida em 3,3% e 3,2%, respectivamente. Entre os países desenvolvidos, os Estados Unidos tiveram corte na estimativa para este ano e em 2016. A previsão agora é que a maior economia do mundo avance 2,7% em 2015, ante 3,2% no relatório divulgado em janeiro. No ano que vem, o país deve crescer 2,8%, abaixo dos 3% inicialmente previstos.

Já a zona do euro foi na direção contrária e teve as previsões elevadas. No caso de 2015, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) subiu de 1,1% em janeiro, para 1,5% no documento divulgado hoje.

A previsão de crescimento para a China foi mantida em 7,1% este ano e 7% em 2016, mas a avaliação dos técnicos do Banco Mundial é que os emergentes e os países em desenvolvimento devem ter novo ano de números fracos. "Estes mercados enfrentam uma série de grandes desafios em 2015", afirma o relatório, citando entre os principais a elevação de juros nos Estados Unidos, que deve encarecer os custos de financiamento para os governos.

"Os países em desenvolvimento foram um motor do crescimento global após a crise financeira, mas neste momento enfrentam um ambiente econômico bastante difícil", afirma o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, no material enviado à imprensa junto com o relatório.

A exceção a este movimento deve ser a Índia, que caiu nas graças dos investidores em meio às reformas colocadas em prática pelo novo governo. O país deve crescer 7,5% em 2015, acima dos 6,4% previstos em janeiro. Em 2018, a expansão do PIB pode bater em 8%.

Riscos. Os riscos em relação às perspectivas para as economias emergentes e em desenvolvimento continuam pendendo para o negativo. Se por um lado alguns temores, como a possibilidade de uma estagnação persistente na zona euro e no Japão recuaram, o estudo afirma que novos riscos surgiram.

Entre eles há a possibilidade de turbulência com a alta de juros nos EUA e a valorização excessiva do dólar pode ser um fator negativo tanto para o país como para a economia mundial.

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