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Banco retoma máquinas de quem não paga

Ação ocorre em época de plantio

Thiago Itacaramby, RONDONÓPOLIS, O Estadao de S.Paulo

19 de novembro de 2008 | 00h00

Endividados, sem dinheiro e em plena época de plantio da nova safra, produtores rurais do sul de Mato Grosso podem perder equipamentos financiados ou dados em garantia de empréstimos. Neste mês o Banco CNH Capital - a CNH também é a maior produtora mundial de implementos agrícolas, dona das marcas Case e New Holland - já notificou 70 produtores para que paguem a dívida ou devolvam as máquinas e vários outros processos estão em andamento. Muitos produtores já tiveram até o nome incluído na lista de restrições de crédito. Segundo informações do Cartório Central da Comarca do Fórum de Rondonópolis, na sexta-feira, já haviam sido cumpridos dez mandados de apreensão em diversas propriedades. Na 1.ª Vara Cível, informaram que há pelo menos quatro mandados contra o senador Gilberto Goellner (DEM-MT), que também é empresário do agronegócio (sementes Girassol). A Assessoria de Imprensa do senador negou as informações e acrescentou que ele está em dia com os pagamentos.Na semana passada, entidades do agronegócio criaram um comitê de crise para buscar uma solução. Segundo o diretor da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Ricardo Tomczyk, a situação é crítica. "Em plena época de plantio da nova safra, os produtores temem o arresto dos bens financiados", diz. Ele contou que alguns produtores estão fugindo dos oficiais de justiça. Para Tomczyk, o governo federal tem sido ineficiente na negociação das dívidas. "Se já foi difícil plantar com as condições negativas de crédito e custo, que dirá se levarem nossas máquinas, como já estão fazendo. Alguém pode explicar como vamos colher o que foi plantado a duras penas?" Segundo o diretor da Aprosoja, as entidades setoriais têm ligado os problemas atuais da agricultura à crise mundial. "As máquinas que garantem as dívidas dos produtores valem, em média, menos da metade do valor dos créditos dos bancos. Com a impossibilidade de geração de renda e quitação das parcelas da dívida, formou-se uma bolha artificial que vem sendo prorrogada pelo governo, sem solução definitiva."

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