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Banco suíço alvo de investigação pela Lava Jato anuncia saída de seu fundador

O banco Heritage anunciou que seu fundador, Carlos Esteve, deixou suas funções de CEO. O banco foi criado em 1986 em Genebra e será agora comandado por Marcos Esteve, irmão mais novo do fundador

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2017 | 13h58

GENEBRA - O banco Heritage anunciou que seu fundador, Carlos Esteve, deixou suas funções de CEO. O banco, usado por ex-diretores da Petrobrás, foi criado em 1986 em Genebra e será agora comandado por Marcos Esteve, irmão mais novo do fundador.

O Heritage passou a ser um dos bancos investigados na Suíça por conta de seu papel no auxílio a brasileiros condenados na Operação Lava Jato. Um dos clientes preferenciais do banco era Nestor Cerveró, ex-diretor da Petrobrás.

Ao jornal suíço, Tribune de Geneve, Esteve garante que sua saída estava planejada e que essa mudança estava prevista há mais de um ano. Ele também garantiu que sua saída não tem qualquer relação com o processo que existe na Suíça contra seu banco.

Mas seu banco passou a ser um dos principais alvos do escândalo depois que a publicação suíça La Cité revelou, há quinze dias, que a instituição não havia soado os alertas às autoridades sobre movimentações suspeitas de brasileiros dentro da instituição. 

A FINMA, agência reguladora dos bancos suíços, abriu em 2015 mais de 20 processos de investigação contra as instituições locais por conta da Lava Jato. No total, o escândalo no Brasil envolveu 42 bancos, mais de mil contas e US$ 1,1 bilhão.

A agência, porém, chegou à conclusão que três bancos tinham violado as regras de lavagem de dinheiro. Em 2016, um informe da FINMA, transmitido às autoridades, revelava a dimensão do envolvimento do Heritage no esquema de corrupção no Brasil.

Para a Finma, o banco violou “gravemente” as leis de monitoramento e sua obrigação de alertar às autoridades qualquer tipo de suspeita de irregularidade no que se refere à lavagem de dinheiro. Na avaliação da agência, havia suspeita de que o dinheiro depositado nas contas do banco tinha “origem criminosa”.

No centro do esquema dentro do banco estava a empresa Forbal Investment Inc, fundada em Belize. Seu beneficiário: Nestor Cerveró.  Ainda em 2015, segundo o jornal La Cité, a Ernst & Young foi contratada para avaliar o banco e constatou diversas irregularidades no combate à lavagem de dinheiro.

Em abril de 2016, a FINMA chegou à conclusão de que o banco “apresentou um deficit organizacional” e que “não dava garantias” de uma atividade correta. O banco ainda falhou em detectar, identificar e denunciar um cliente sob suspeita. O Departamento Federal de Finanças abriu um processo e uma decisão está sendo aguardada no Tribunal Federal Suíço.

No mês passado, o Estado revelou com exclusividade que, depois de três anos de investigações sobre o emaranhado de contas de brasileiros na Suíça, o Ministério Público de Berna iniciou uma terceira fase do inquérito sobre a Lava Jato e, no Brasil, enviou uma delegação para questionar réus e suspeitos sobre quem eram seus gerentes de contas e banqueiros em Zurique, Genebra ou Lugano.

Com 4,7 bilhões de francos suíços sob sua administração, o banco Heritage ainda não respondeu o pedido de esclarecimento por parte da reportagem do Estado.

Posicionamento. "A transição de Carlos Esteve para Marcos Esteve estava planejada desde 2016, ano em que o banco completou 30 anos", disse a instituição, por meio de um e-mail. "Carlos Esteve decidiu se dedicar à governança corporativa como membro do Conselho do banco, depois de mais de 30 anos na liderança da firma que ele fundou", explicou. Sobre as investigações, porém, o banco alegou que "não comenta assuntos sob litígio". 

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