Bancos ajustam previsões a partir da confirmação de 2º turno

Bancos de investimento começaram hoje a ajustar suas previsões macroeconômicas, com a confirmação do resultado da primeira etapa da eleição presidencial e a realização do segundo turno, no próximo dia 27. O Banco Fator, já recalibrou, por exemplo, as previsões para a inflação no ano que vem e agora aponta para uma taxa que corresponde a mais do que o dobro da anterior. No BBV Banco, os números não foram revisados, mas o peso do cenário da vitória de uma oposição já foi reduzido dentro da projeção.O analista de macroeconomia do Fator, Vladimir Caramasche, contou que as principais projeções estão sob revisão e que o processo estará concluído nos próximos dias. "Estamos analisando os resultados da eleição. Mas não tenho dúvida que haverá projeções divergentes entre instituições", argumentou o economista, fazendo paralelo com o grau de diferença das projeções que sucederam a desvalorização de janeiro de 1999.No caso do Fator, a previsão de inflação para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2003 subirá de 5% para 12%, com o câmbio estimado em R$ 3,60 no fim do ano. A projeção é fruto do repasse da variação do dólar aos preços e da "desconfiança da convicção do combate ao repasse", disse Caramasche. O cenário leva em conta a hipótese de vitória do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a dificuldade de José Serra (PSDB) em "virar o jogo".O economista do BBV, Banco Luis Afonso de Lima, informou que as projeções são as mesmas e deverão ser mantidas ao longo da semana. As chances de vitória dos dois candidatos permanecem, mas o banco projeta uma inflação no ano que vem de 5% em caso de vitória do "candidato da situação" e de 7% a 9%, da "oposição". Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), as projeções, respectivamente, são de 3% e 2%."O que está mudando, isto sim, é que estamos diminuindo as chances da possibilidade de vitória de uma oposição desorganizada, pouco provável agora. Este candidato (da oposição) tem um discurso mais moderado", comentou Lima, referindo-se ao candidato do PT.InstabilidadeO economista-chefe do JP Morgan, Luís Fernando Lopes, acredita que a instabilidade no cenário externo deve inibir um movimento mais forte de recuperação do mercado financeiro, após o avanço do candidato do PSDB na corrida eleitoral. Segundo ele, não há espaço para uma melhora significativa dos ativos brasileiros agora, quando o conflito entre os Estados Unidos e o Iraque está cada vez mais próximo. Apesar desse quadro externo incerto, Luís Fernando Lopes ressalta que os fundamentos da economia nacional não pioraram.O economista lembra também que os investidores estrangeiros já davam como certa a vitória do candidato do PT. Essa mudança de rumo pode ser mal interpretada, com os analistas precisando fazer novas contas e com o aumento relativo das incertezas. "O mercado lá fora apostava que a eleição já estava decidida", afirmou. Lopes, porém, avalia que o segundo turno será bem recebido pelo mercado brasileiro, que terá as próximas três semanas para analisar melhor as propostas dos dois candidatos.

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