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Bancos alertam para falta de petróleo

Analistas dizem que a Opep precisa agir, pois não dá para enfrentar outra paralisação

, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2011 | 00h00

LONDRES

Grandes bancos alertaram ontem que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) precisa agir se os preços do petróleo se aproximarem de níveis que possam atrapalhar a recuperação econômica, dizendo que a perda da produção de outro país depois da Líbia pode provocar escassez global e racionamento da demanda.

O Goldman Sachs emitiu nota dizendo que o mundo não poderá lidar com outra paralisação da produção como a da Líbia. Os preços do petróleo do tipo Brent subiram mais de US$ 8,50, para quase US$ 120 o barril, em meio aos conflitos líbios.

A petrolífera italiana ENI - que tem grandes unidades na Líbia - disse que o país havia perdido três quartos da produção.

"O mercado não pode acomodar outra paralisação, com os problemas na Líbia potencialmente absorvendo metade da capacidade ociosa da Opep", disse Jeffrey Currie, analista do Goldman Sachs, em nota.

"Isso torna os riscos associados ao contágio bem maiores do que eram há alguns dias, pois mais paralisações podem agora criar uma escassez nos mercados globais de petróleo que exigiria um substancial racionamento da demanda."

Currie acrescentou, porém, que os altos níveis de estoques globais podem acomodar uma total escassez de exportações líbias por mais de cem dias e que a capacidade ociosa da Opep pode facilmente absorver uma perda total se preciso.

Arábia Saudita. O Barclays Capital disse que não vê pressão de queda nos preços até que mais petróleo chegue ao mercado.

"Ao menos que nós vejamos uma medida explícita dos países produtores - por exemplo a Arábia Saudita -, eu não acho que haja necessariamente uma pressão de queda nos preços (de petróleo)", disse Amrita Sen, analista do Barclays.

Mark Fletcher, do Citi, disse que a Arábia Saudita tem de agir nas próximas semanas. "Até agora temos muitas palavras da Arábia Saudita, mas eles ainda não fizeram nada e precisamos ver ação."

Fontes sauditas disseram que o país pode suprir a necessidade de petróleo e fornecer qualquer tipo de óleo, inclusive o tipo leve produzido pela Líbia.

Crescimento. O Deutsche Bank disse que o petróleo acima de US$ 120 o barril seria um ponto de inflexão para o crescimento econômico global.

"US$ 120 o barril é o nível em que o petróleo como parcela do PIB global começa a ir acima de 5,5%, o que historicamente é um ambiente onde o crescimento fica sob pressão."

O BNP Paribas espera que o Brent fique em uma média de US$ 117 o barril no segundo trimestre e o petróleo nos Estados Unidos fique em US$ 105.

O banco elevou a média anual do petróleo americano em US$ 13, para US$ 102. A média do Brent foi elevada em US$ 24, para US$ 112. / REUTERS

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