Aly Song/REUTERS
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Bancos americanos contornam estigma de 2008 e tomam empréstimos direto do Fed

De acordo com as instituições, medida é de prevenção caso as consequências econômicas da pandemia de coronavírus se intensifiquem

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 03h07

Os maiores bancos dos Estados Unidos afirmaram que tomaram recursos emprestados do fundo emergencial do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). De acordo com as instituições financeiras, a justificativa não foi o pânico devido ao novo coronavírus, mas sim a tentativa de remover o estigma público de fazer isso caso as consequências econômicas da pandemia se tornem piores.

O JPMorgan Chase, o Bank of America e outros seis grandes bancos disseram na tarde de segunda-feira, 16, que haviam recorrido à reserva do Fed, conhecida como janela de desconto. Fontes informaram que os empréstimos tomados eram relativamente pequenos e não foram usados para lidar com nenhuma escassez crítica de financiamento.

A "janela de desconto" fornece empréstimos de curto prazo a bancos e presta um importante papel no sentido de sustentar a liquidez e estabilidade do sistema bancário, segundo o Fed.

Crise de 2008

Bancos se ampararam sobre essa janela do Fed durante a crise financeira de 2008, quando tiveram dificuldades para se manter à medida que o mercado entrava em convulsão. As instituições a abandonaram quase completamente nos últimos anos, apesar de o Fed oferecer um dos financiamentos mais baratos disponíveis, devido à preocupação de que uma movimentação como essa os retratasse como fracos.

Ao agir agora como um grupo, os bancos têm força nos números. As mesmas oito empresas usaram umas às outras como cobertura no domingo quando anunciaram que suspenderiam suas recompras de ações - mais uma decisão que, se tivesse sido adotada individualmente, poderia ter sinalizado estresse severo.

Em um comunicado, o grupo - que também abrange o Wells Fargo, Citigroup, Goldman Sachs, Morgan Stanley, Bank of New York Mellon e State Street - disse que as instituições financeiras têm "liquidez substancial e múltiplas fontes de financiamento"

Corte de juros do Fed

No último sábado, 14, o Fed, o banco central americano anunciou um novo corte de juros e participação em uma ação coordenada com outros bancos centrais para aumentar a liquidez do mercado, diante do risco de uma retração global por conta da pandemia do coronavírus. As taxas passaram de um intervalo entre 1% e 1,25% ao ano para zero a 0,25%. Foi a segunda redução no mês aprovada em reunião extraordinária. Em comunicado, o Fed afirmou que a crise vai “pesar na atividade econômica no curto prazo e representar riscos para as perspectivas econômicas”.

Além do corte de juros, o Fed anunciou a compra de até US$ 700 bilhões em títulos do Tesouro e lastreados em hipotecas e a redução a zero da taxa do compulsório bancário. No caso do compulsório, que vai valer a partir do dia 26, a medida abre uma porta para o aumento de empréstimos a empresas e famílias em dificuldades financeiras. / AE

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