Bancos ampliam acesso a fundos de investimento

Instituições reduziram o valor mínimo de algumas de suas aplicações para manter o interesse dos investidores

Paulo Darcie, do Jornal da Tarde ,

14 de dezembro de 2009 | 14h43

Em vários momentos neste ano, os bancos reduziram o valor mínimo inicial para investimentos em certos fundos. A ideia era tornar essas aplicações mais acessíveis. No entanto, muitos fundos, mesmo com a mudança, ainda não se revelaram tão competitivos: o problema está nas altas taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras, que acabam por minar a rentabilidade.

Entre os maiores bancos que atuam no País, Bradesco, Banco do Brasil, HSBC, Santander e Real fizeram alterações nestas aplicações. No Itaú Unibanco, as taxas de administração e limites mínimos de investimento são definidos conforme o relacionamento com cliente. Já a Caixa Econômica Federal e a Nossa Caixa (que, em novembro, passou a oferecer também fundos do BB) não fizeram mudanças.

As alterações, quando existiram, foram o caminho encontrado pelos bancos para manter o interesse do cliente nos fundos e evitar uma eventual fuga para a poupança, que ganhou atratividade por causa da queda dos juros, além de não sofrer incidência do Imposto de Renda. Entre janeiro e junho, a taxa básica (Selic) caiu de 13,75% para 8,75%, o que puxou para baixo a rentabilidade dos fundos atrelados a ela. Com a Selic menor, a taxa de administração “come” parte da rentabilidade dos fundos. Em geral, fundos que aceitam aportes baixos têm uma taxa de administração mais alta que a dos voltados ao investidor mais abonado.

“Os fundos referenciados e DI, se descontada a taxa de administração, têm rendido quase o mesmo que a poupança”, afirma o professor de finanças do Insper, George Ohanian. Por isso é preciso buscar a melhor taxa de administração. “Fazendo a conta, a taxa competitiva para esse tipo de fundo é por volta de 1%”, avalia o educador financeiro Marcos Silvestre.

Levantamento do JT (veja ao lado) mostra que, entre os fundos mais acessíveis, poucos chegam a essa taxa. Referenciado DI Bônus Mil, do BB, permite investimentos de R$ 200 com taxa de administração de 3%. O mais acessível dos fundos DI do HSBC, com investimento de R$ 2 mil, cobra 2% de taxa. Mas os fundos com menores taxas de administração, como o FI Referenciado DI LP do HSBC, com taxa de 0,15% ao ano, exige investimento inicial de R$ 1 milhão, proibitivo para a maioria dos correntistas.

Na escolha de um fundo é essencial olhar o rendimento passado e também considerar as perspectivas. “Para 2010, faz mais sentido analisar o rendimento em 2009, quando a Selic caiu, do que os últimos três anos, quando estava mais alta”, afirma Silvestre. Após o anúncio do crescimento abaixo do esperado (1,3%) do PIB no terceiro trimestre, a tendência de alta da Selic começa a ser substituída pela de manutenção, o que sugere ganhos parecidos aos atuais.

Os especialistas alertam, também, para a semelhança entre os fundos mais conservadores. “São formados basicamente por títulos da dívida pública, por isso têm rentabilidade próxima”, diz o professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Samy Dana. “Os multimercados e de renda variável é que diferem mais”.

A escolha depende também do dinheiro disponível. O advogado Lucas Machado, de 23 anos, buscando maior rentabilidade, pesquisou alguns fundos formados por renda fixa e variável e concluiu que, com o que tinha para aplicar, não valeria a pena correr grandes riscos. “Para entrar com o valor mínimo, não ia render muito mais do que o CDB”, conta ele. “Preferi juntar um pouco mais antes de correr um risco maior.” No caso de um investidor iniciante, como Machado, Silvestre diz que a diversificação não é urgente. “Os produtos mais conservadores se substituem”, diz. “Diversificação só faz sentido para diminuir o nível de risco, se for para investimentos diferentes, como renda variável”, diz Dana.

Saiba mais:

Taxa de administração

É uma porcentagem fixa anual sobre o valor investido, paga pelo cliente para que um profissional decida que ativos vão compor sua carteira

Fundos de renda fixa

Têm, no mínimo, 80% do patrimônio em títulos de renda fixa, que podem ser prefixados - rendendo taxa de juros definida - ou pós-fixados - acompanhando a da taxa básica de juros, a Selic, ou outro índice

Fundos multimercado

Fundos que aplicam os recursos captados em vários mercados ao mesmo tempo, combinando investimentos em renda fixa, câmbio, ações, entre Outros

Taxa SELIC

É a taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central. Ela baliza as taxas de juros praticadas no mercado, o que influencia no rendimento de fundos

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