Bancos apostam em crescimento de empréstimos

As esperanças do mercado financeiro para o crescimento ou, pelo menos, para a manutenção das receitas de crédito estão na população de baixa renda. No ano passado, os cinco maiores bancos privados brasileiros emprestaram 30% a mais, mas as receitas caíram cerca de 20%. "Daqui para frente, os bancos vão ter de aumentar o número de empréstimos, investindo nos segmentos onde as taxas de juros são mais compensadoras para as instituições bancárias, como os de médias empresas e de crédito direto ao consumidor", diz Erivelto Rodrigues, da consultoria Austin Asis. Segundo ele, essa necessidade é que tem levado e vai levar ainda mais os bancos a investir em financeiras. E quem fez isso há algum tempo já colhe os frutos. "Essa procura pelo público de baixa renda vai explodir", diz Rodrigues. Para ele, a estabilidade econômica vai fazer com que essas pessoas - que estavam intimidadas por causa do elevado índice de desemprego, e que passaram a consumir depois do Plano Real -, sejam atraídas pelos financiamentos. Rodrigues lembra que apenas 30% da população brasileira tem conta corrente. "Mesmo assim, essas pessoas querem comprar e precisam de crédito". É um mercado promissor que conta com inadimplência elevada, mas tem taxas de juros compensadoras. Mesmo com inadimplência bancos que têm financeiras lucram mais A Austin Asis mostra que a inadimplência nas financeiras ligadas às instituições bancárias foi de 8% no ano passado, enquanto os bancos de varejo tiveram uma inadimplência de 2,6%. Em contrapartida, a rentabilidade dos bancos com financeiras foi em média de 22,4% e dos de varejo, de 15%. Quem está no ramo não reclama. Hoje, o Lloyds Bank, um banco de elite, já consegue cerca de 50% do seu lucro com a financeira Losango, especiliazada em crédito para o público de baixa renda. O empréstimo médio concedido pela empresa é de R$ 40. Nas projeções da financeira, o crédito direto ao consumidor deve ter expansão de 50% neste ano, enquanto os bancos avaliam que devem emprestar cerca de 30% a mais ao longo do ano. O BBA Creditanstalt, que teve dois anos seguidos de prejuízo com a Fináustria, conseguiu escala para reverter o resultado e fechar 2000 com lucro. Bancos investem em financeiras para atrair não-clientes Nesta onda de procurar o público mais pobre, o BBV Banco está investindo na Crediponto e o Unibanco comprou, no final do ano passado, a parte que não tinha da Fininvest. O Bradesco, por sua vez, tem apostado firme na financiadora Continental. O BBV Banco ganhou a Crediponto com a compra do Excel Econômico e só agora resolveu investir no segmento. A principal razão apontada pelos bancos para investir em financeiras é a intenção de atrair também o público que não é correntista. "Queremos atrair não-clientes. No banco, emprestamos cerca de R$ 800,00 por pessoa. Na financeira esse valor cai pela metade e a demanda é maior", revela Josué Oliveira. Neste ano. De acordo com ele, a Crediponto deve ter 120% de crescimento e em junho de 2001, acredita que a empresa passará a cobrir os custos, ou seja, o banco só terá lucro com a financeira a partir de 2002. Outro interesse dos bancos por financeiras está ligado ao menor custo operacional. "Captamos clientes dentro das lojas, sem precisar de agências e sem precisar procurá-lo", diz o presidente-executivo de varejo do Unibanco, Joaquim Francisco de Castro Neto. Para ele, a compra do restante da Fininvest garantiu à instituição participação de 11% no acesso ao público tomador de crédito da classe C e D, e não interessava a expansão de agências para atingir esse público. "Antes da aquisição da Fininvest, tínhamos muito menos de 2% desse público. Hoje são 3 milhões de clientes ativos sem a necessidade de novas agências, mas a financeira vai ampliar o número de lojas de 52 para 64, todas nas grandes capitais." É justamente neste filão de baixa renda que o Unibanco aposta que a demanda por crédito deve crescer mais. Mas o executivo não faz projeções. "Para tomar financiamento, mais importante que a demanda primária ou a renda pessoal, está o nível de confiança do consumidor. As pessoas querem saber se vão continuar empregadas", avalia, lembrando que até agora os sinais da economia são positivos. Na Fináustria, a carteira de crédito direto ao consumidor no financiamento de automóveis subiu 40% e atingiu R$ 1 bilhão. A carteira de créditos para grandes empresas não foi alterada. A financeira conta com 28 postos de venda no País.

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