Bancos apostam em valorização do real

Os bancos reforçaram sua aposta de que o real vai se valorizar em relação ao dólar, ou pelo menos ficar relativamente estável no câmbio com a moeda americana. Essa percepção é sustentada pela posição das instituições financeiras no mercado de câmbio.

Fabio Graner,Fernando Nakagawa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

Em julho, até o último dia 22, a chamada "posição vendida" estava em US$ 12,95 bilhões, nível quase US$ 3 bilhões superior ao registrado ao fim de junho deste ano, quando a posição vendida somava US$ 9,05 bilhões.

Esse aumento na posição vendida está ligado à continuidade das compras de dólares pelo Banco Central, bem acima do fluxo cambial, que neste ano - incluindo os dados parciais de julho - soma US$ 433 milhões. O BC adquiriu US$ 14,9 bilhões de janeiro até o dia 22 deste mês.

Para que a autoridade monetária obtenha esses dólares, os bancos tomam empréstimos no exterior e entregam a divisa ao BC em troca de reais que são aplicados na taxa de juros brasileira, a Selic. Se o real se desvalorizar ante o dólar, essa operação perde rentabilidade, podendo até provocar prejuízo aos bancos.

Sem forçar. Questionado se o Banco Central estaria estimulando o aumento da posição vendida dos bancos, o chefe do departamento econômico da autoridade monetária, Altamir Lopes, discordou. Segundo ele, o Banco Central só está comprando o que os bancos estão resolvendo vender, sem forçar nada.

Para o professor de economia da PUC-SP e especialista em contas externas, Antônio Corrêa de Lacerda, o aumento na posição vendida dos bancos não surpreende. "Seria estranho que eles não fizessem. Isso faz parte do jogo do câmbio flutuante", afirmou, explicando que o diferencial de taxa de juros, especialmente em um contexto de Selic em alta, estimula a aposta das instituições financeiras na valorização do real.

"A taxa de juros é muito alta, é um convite à arbitragem (quando o investidor se aproveita da diferença de preço entre dois mercados) por parte dos bancos. O aumento na posição vendida é o que ocorre se tem o Brasil subindo o juro enquanto o mundo segue com os juros muito baixos", afirmou.

Fluxo. Segundo Altamir Lopes, o fluxo cambial em julho, até o dia 22, é negativo em US$ 2,93 bilhões em julho. Segundo ele, a conta financeira lidera a saída de dólares do Brasil, já que, nesse período, registrou déficit de US$ 1,73 bilhão. O fluxo comercial acumulou saída líquida de US$ 1,19 bilhão no mês de julho até dia 22.

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