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Bancos argentinos oferecem garantia a credores

Preocupado com a possibilidade de calote, grupo de banqueiros estará hoje em Nova York para negociar com fundo de hedge NML

Ariel Palacios, correspondente/Buenos Aires e Altamiro Silva Júnior, correspondente/Nova York, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2014 | 02h00

A possibilidade de um calote preocupa o setor financeiro de Buenos Aires. Um grupo de bancos privados, reunidos na Associação de Bancos Argentinos (Adeba), propôs ontem colaborar com US$ 250 milhões. O objetivo é fazer com que o fundo hedge NML, que cobra do governo argentino o pagamento integral da dívida, proponha ao juiz federal Thomas Griesa, de Nova York, a reinstalação de uma liminar que permite o pagamento dos credores reestruturados, evitando, assim, o calote.

Um grupo de banqueiros deve chegar hoje em Nova York, poucas horas antes do prazo final que a Argentina tem para pagar sua dívida, para negociar com o fundo. O dinheiro dos bancos seria uma espécie de depósito em garantia aos holdouts, denominação dada aos credores que não aceitaram reestruturar suas dívidas em duas ocasiões, 2005 e 2010.

Numa outra frente, para tentar evitar um calote argentino, credores europeus entraram ontem na Justiça dos Estados Unidos com um pedido de emergência para a suspensão da execução da sentença que determina o pagamento, até hoje, de US$ 1,3 bilhão ao NML. Os europeus pedem a suspensão do prazo por 90 dias ou até o início de janeiro de 2015, caso contrário consideram bem provável que a Argentina entre em calote hoje, de acordo o documento dos credores.

O argumento é que, com a suspensão, a Casa Rosada terá mais tempo para negociar formas de evitar um calote.

No mesmo documento, os credores da dívida em euro afirmam que abrem mão da chamada cláusula Rufo, que determina que as mesmas condições oferecidas aos fundos americanos têm de ser oferecidas aos agentes que aderiram às duas reestruturações anteriores. Essa cláusula é válida até o fim de dezembro deste ano.

Os detentores da dívida em euro afirmam que já entraram em contato com outros investidores interessados em também abrir mão da cláusula Rufo. Juntos, esse grupo detém 5,2 bilhões da dívida do país, segundo o documento. Mas conseguir que outros fundos também abram mão é um processo que leva tempo, pois há investidores em vários países, inclusive no Japão, ressaltam os europeus.

Condição. Na sentença de 16 de junho, o juiz Griesa determinou que os fundos da dívida reestruturada só poderão ser pagos se o governo argentino pagar ao mesmo tempo os holdouts. Por isso, um calote hoje significa que esses investidores também não receberão.

A Argentina depositou US$ 830 milhões em bancos como Bank of New York Mellon e Citibank no fim de junho para pagar esse grupo, mas Griesa impediu o pagamento.

"A recusa em suspender a sentença pode levar ao default, causando danos imprevisíveis e sérios para milhões de cidadãos inocentes da Argentina, aos holdouts, aos fundos que aderiram às reestruturações e à toda economia global", afirma o documento.

Ontem, em mais uma reunião, um grupo de representantes do governo argentino negociou por cerca de três horas com o advogado Daniel Pollack, nomeado por Griesa para mediar as negociações entre fundos e a Casa Rosada, em busca de um acordo. A reunião foi suspensa durante a tarde e foi retomado à noite com a presença do ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, que estava na Venezuela para a Cúpula do Mercosul. Sem acordo, depois de cinco horas de negociações, Kiciloff disse que as conversas continuam hoje. "Tivemos uma reunião com as partes e entramos em intervalo. Seguimos trabalhando, com toda a seriedade que tem a questão."

Calote técnico. O chefe do gabinete de ministros, Jorge Capitanich, anunciou ontem que "calote técnico não existe. É uma coisa inventada por grupos de especuladores". O ministro se referia ao prazo até meia-noite de hoje para o segundo vencimento do pagamento nos Estados Unidos da parcela dos juros dos títulos da dívida pública argentina Discount, com valor de US$ 539 milhões.

Caso a Argentina não pague os reestruturados entraria em estado de calote com esses credores, afirmam economistas.

No entanto, na city financeira portenha existem divisões sobre como definir essa suspensão de pagamentos temporária: calote transitório, calote administrativo, semicalote ou calote técnico.

"A Argentina pagou, paga e cumpre suas obrigações financeiras", sustentou Capitanich, negando um eventual calote. O ministro sustentou que os holdouts adotam atitudes "belingerantes" e que seus objetivos são o de "não conseguir uma decisão que permita resolver o problema".

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