Bancos argentinos temem avalanche de clientes

Os bancos voltam a abrir hoje na Argentina depois de semanas trabalhando parcialmente. O novo dólar também estréia. Preocupados com o fluxo de clientes que deve se dirigir às agências, os principais bancos do país enviaram comunicado à imprensa argentina ontem no fim da tarde informando que a atenção ao público deve ser prejudicada na jornada de hoje.Algumas agências bancárias foram apedrejadas, alvo da ira dos manifestantes durante o panelaço desta madrugada. À tentativa dos policiais de conter o movimento, os argentinos também reagiram com pedras e queima de papel e paus nas ruas.As emissoras de TV, segundo testemunhas, demoraram mais de uma hora para começar a transmitir os protestos em tempo real. O principal motivo dos panelaços foi o cronograma de devolução dos depósitos bancários, congelados há semanas. A devolução foi definida da seguinte forma: até 10 mil pesos: em quatro cotas mensais e consecutivas, a partir de março de 2002; acima de 10 mil pesos e até 30 mil pesos: em 12 parcelas mensais e consecutivas a partir de agosto de 2002; superiores a 30 mil pesos: em 24 cotas mensais e consecutivas a partir de dezembro de 2002.Esses depósitos terão taxa de juros nominal anual de 7%, pagos mensalmente a partir de fevereiro de 2002. Pessoas jurídicas estão excluídas desse cronograma. Para a liberalização dos depósitos a prazo fixo em dólares, a ordem será a seguinte: até 5 mil dólares: em 12 parcelas a partir de janeiro de 2003; de 5 mil dólares até 10 mil dólares: 12 parcelas a partir de março de 2003; acima de 10 mil dólares até 30 mil dólares: 18 cotas a partir de junho de 2003; acima de 30 mil dólares: 24 cotas a partir de setembro de 2003.Esses depósitos terão taxa de juros nominal de 2% sobre os saldos, pagos mensalmente a partir de fevereiro de 2002.Nos saldos das contas correntes em moeda estrangeiras de US$ 10 mil, poderão ser convertidos os primeiros US$ 10 mil na paridade de 1,40 peso por dólar e transferidos para qualquer conta em pesos que o cliente tenha na mesma entidade financeira, segundo as mesmas restrições das contas em peso.A equipe econômica abriu uma brecha para que as pessoas possam usar seus depósitos para comprar imóveis, carros ou outras compras que envolvem cifras altas. Será implementado um certificado de depósitos ou um pagaré (espécie de nota promissória) a ser emitido pelo banco onde está depositado o dinheiro da pessoa.O mecanismo servirá para pagar as transações realizadas, mantendo o dinheiro no sistema, já que o mesmo iria para a conta de quem vendeu o produto. Este, por sua vez, manteria o certificado em seu poder para fazê-lo circular em outras operações de compra e venda, ou aguardaria o prazo determinado pelo governo para sacar o depósito no valor do certificado.Leia o especial

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