Bancos brasileiros estão preparados para estresse extremo, diz BC

Autoridade monetária destaca que as instituições financeiras nacionais podem enfrentar situações extremas sem prejuízos às exigências de segurança de Basileia

Reuters

23 de setembro de 2010 | 15h20

Avaliação feita pelo Banco Central sobre o primeiro semestre do ano concluiu que os bancos brasileiros estão preparados para enfrentar situações extremas de estresse, sem prejuízos às exigências de segurança de Basileia, apesar de uma queda verificada na relação entre capital mínimo e empréstimos.

O BC também constatou que, no médio prazo, há baixa probabilidade de os bancos terem dificuldades em responder ao aumento da demanda por crédito, uma vez que as instituições foram bem sucedidas em buscar fontes de financiamento após o aumento do compulsório promovido no primeiro semestre.

"Em todos os cenários de estresse analisados, inclusive em cenários extremos de deterioração da situação macroeconômica, com a consequente elevação da provisão, o Índice de Basileia seria superior a 11%", afirmou o BC no Relatório de Estabilidade Financeira, em referência à exigência de capital mínimo de R$ 11 para cada R$ 100 emprestados.

De dezembro de 2009 a junho, o índice médio do sistema caiu de 18,5% para 17,3%. A queda refletiu um aumento das operações de crédito e também uma mudança regulatória promovida pelo BC, mas o patamar permanece superior ao exigido internacionalmente, mesmo com as mudanças a serem implementadas pelo acordo conhecido como Basileia 3.

O BC destacou, ainda, que os bancos têm sido pressionados a elevar os prazos de seus financiamentos para atender a uma demanda por crédito mais longo.

Esse processo, aliado à entrada de novos clientes nas carteiras dos bancos, "representam desafios adicionais aos modelos de concessão e aos processos de gestão do risco de crédito das instituições".

O BC também destacou que a rentabilidade dos bancos pode ser pressionada, no médio prazo, pela queda dos spreads e por mudanças de regras prudenciais.

O estoque de crédito cresceu 9 por cento no primeiro semestre. Entre as pessoas jurídicas, houve aumento de demanda entre micro e pequenas empresas.

"No segmento de pessoas físicas, a expansão foi alicerçada no crescimento da base de clientes, com moderado comprometimento de renda dos tomadores e sem elevação significativa dos riscos na carteira", disse o BC.

(Reportagem de Isabel Versiani; edição de Aluísio Alves)

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