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Bancos cedem e Merkel sai fortalecida

Depois de resistirem à proposta de bancar a redução de 50% da dívida grega, foi da chanceler alemã a última palavra para convencer os bancos

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2011 | 03h05

Eram quase 4 da madrugada ontem em Bruxelas. Um negociador que estava na sala de reuniões diante de um dos momentos mais críticos da história da zona do euro contou ao "Estado" que, da janela, apenas ruas vazias e silêncio absoluto. Dentro, a constatação de que uma pessoa havia finalmente decidido tomar as rédeas do bloco: a chanceler alemã Angela Merkel.

Em uma Europa enfraquecida, foi Merkel quem saiu fortalecida do acordo e conseguiu impor nos últimos dias a visão da Alemanha ao futuro do bloco.

Depois de reuniões que começaram com os 27 líderes da União Europeia, o processo negociador foi se limitando a um número cada vez menor de atores. No início da noite de quarta-feira, restaram apenas os chefes de Estado e governo dos 17 países que usavam a moeda única europeia, deixando Reino Unido, Suécia e outros de fora.

Já passava da meia-noite quando entraram em uma sala no complexo administrativo de Bruxelas apenas cinco atores: Merkel; o presidente da França, Nicolas Sarkozy; representando os bancos, o diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), Charles Dallara; o presidente da UE, Herman Van Rompuy; e a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), e Christine Lagarde.

Segundo assessores que estiveram dentro da sala, foi de Merkel a última palavra, forçando os bancos a aceitarem um pacote que prevê um calote parcial na Grécia - de uma dívida de 210 bilhões, os bancos aceitaram um desconto de cerca de 50%, ou 100 bilhões.

Dias antes, a chanceler alemã já havia derrubado as propostas de Sarkozy de usar o Banco Central Europeu (BCE) para resgatar os países e havia chamado os representantes da Itália e da Espanha em reuniões privadas para cobrar novas reformas.

Contrapartida. Aos bancos, foi feita a exigência de que deveriam assumir suas responsabilidades: aceitar um calote parcial e se recapitalizar em nove meses para que não voltassem a desestabilizar o mundo, como em 2008 - os nove meses coincidem com o fim do ano fiscal europeu e a recapitalização proposta é de 100 bilhões.

A medida servirá para protegê-los de eventuais perdas, caso outros governos ameacem decretar a moratória das suas dívidas. Ainda teme-se que Espanha e Itália sigam os passos da Grécia.

Se para a Grécia o pacote veio como um alívio diante do calote também de 100 bilhões, Merkel deixou claro que não aceitaria apenas dar esse presente a Atenas sem duras condicionalidades.

A partir de agora, nada de missões da UE enviadas a Atenas. A alemã exigiu que uma delegação da União Europeia seja estabelecida na Grécia para controlar cada passo do governo.

Caixa-forte. Para toda a Europa, a Alemanha concordou em ser mais uma vez o caixa e pagar por parte do resgate. Mas, desta vez, apresentou exigências de uma reforma profunda na zona do euro. Países resgatados serão colocados sob a tutela de Bruxelas. A UE ainda terá poderes de levar países aos tribunais caso violem regras de estabilidade financeira e orçamentária.

Quem não cumprir, pode até ser expulso.

Sarkozy esperava sair da cúpula como a pessoa que havia orquestrado o resgate da Europa, apresentando-se na semana que vem ao G-20, como uma espécie de líder global. Mas foi Merkel quem acabou deixando claro que a Alemanha ainda dá as cartas nos momentos decisivos.

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