Bancos Centrais criticam ingerências políticas

Os principais presidentes de Bancos Centrais do mundo afirmaram nesta terça-feira, em Berlim, Alemanha, em uma conferência promovida pelo Instituto Monetário, que o papel da autoridade monetária é manter a meta da inflação, de forma autônoma, sem ingerências políticas. "Devemos (os presidentes dos bancos centrais) nos imunizarmos, nos isolarmos das fraquezas externas, porque a decisão da política monetária é profissional, é técnica", disse o presidente do Banco Central da Inglaterra, Edward George.O presidente do BC francês, Jean-Claude Trichet, afirmou que o mercado precisa confiar no objetivo "assumido pelos governos" de transformar a Europa em uma das economias mais competitivas do mundo até 2010. "Está tudo documentado, temos nossas metas a serem atingidas, o problema é convencer a opinião pública que nós as cumpriremos", afirmou Trichet.O presidente do Banco Central norte-americano, Alan Greespan, que participou do debate por teleconferência, observou que os dirigentes dos bancos centrais hoje vivem o dilema entre "aumentar despesas, aumentando déficits ou aumentar taxas", apertando despesas. Greenspan garantiu que a deflação para os EUA não é uma ameaça, "apesar de ter um risco mínimo, mas é o que o mercado espera". O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Williem Duisenberg, demonstrou vários números para sinalizar que a economia européia começa a reagir. Um deles: a taxa da inflação de maio, que sofreu um recuo de 2,1% de abril para 1,9%, divulgada segunda-feira pela Eurostat (estatística comunitária oficial). Duisemberg foi o conferencista que mais atraiu a atenção da imprensa, de olho se o BCE anunciará na próxima quinta-feira a redução da taxa básica de juros, hoje em 2,5%.Sobre a redução da taxa de juros européia, o presidente do BC brasileiro, Henrique Meirelles, afirmou à Agência Estado, que "de um lado, você tem riscos de inflação em algumas regiões da Europa e também há diferentes inflações de pais a país", mas preferiu não avançar no assunto, ao ser questionado sobre quais os efeitos da decisão para o mercado brasileiro. "Eu não gostaria de comentar, eu acho que tem vários efeitos, esse é que é o problema, - não é só um efeito específico - e aí eu vou cair na discussão lá do Brasil. Missão complexa, se fosse simples eles já teriam tomado", afirmou.

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