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Bancos Centrais da Ásia intervêm para conter alta das moedas

Moedas asiáticas dispararam em relação ao dólar em meio ao otimismo com a perspectiva econômica da região, reforçada pelos dados de forte expansão industrial na China 

Regina Cardeal, da Agência Estado,

30 de dezembro de 2010 | 10h44

Os bancos centrais da Coreia do Sul, Malásia e Tailândia intervieram nos mercados de câmbio nesta quinta-feira, 30, depois que as moedas asiáticas dispararam em relação ao dólar em meio ao otimismo com a perspectiva econômica da região, reforçada pelos dados mostrando que o setor industrial da China teve expansão forte em dezembro.

Taiwan, por sua vez, revelou medidas para fortalecer seu sistema bancário contra os rápidos movimentos de capital estrangeiro, tornando-se o mais recente país da Ásia a adotar regulações mais rígidas para controlar os riscos representados pelo fluxo do chamado "hot money".

O movimento das moedas foi exagerado pelas condições de pouca liquidez, uma vez que muitos investidores estão fora do mercado por causa dos feriados de fim de ano. Mas corretores disseram que a tendência de valorização de várias moedas da Ásia deve continuar, com a decisão da China de guiar o yuan para um novo valor recorde em relação ao dólar cimentando o sentimento altista.

"As pessoas estão apostando que o crescimento forte dos mercados emergentes vai continuar e que as moedas vão seguir se valorizando", disse Lum Choong Kuan, chefe de pesquisa de renda fixa do CIMB Group, em Kuala Lumpur. "Com a crise da dívida na Europa e com os EUA ainda mostrando crescimento lento, os investidores não terão outro lugar para colocar seu dinheiro senão aqui."

O capital tem corrido para a Ásia este ano, ajudando a financiar investimentos em uma das regiões que mais cresce no mundo. Mas o fluxo de recursos estrangeiros causa preocupação por causa dos riscos dos movimentos rápidos do capital, sobretudo depois dos danos que a região sofreu durante a crise financeira do fim dos anos 1990, quando um boom terminou repentinamente e os estrangeiros correram para as saídas.

Novos dados da China, o motor da economia asiática, mostram que o crescimento diminuiu levemente em dezembro, mas prossegue em níveis relativamente elevados. O índice dos gerentes de compra HSBC, uma medida da atividade nacional na China, caiu para 54,4 em dezembro, de 55,3 em novembro. Uma leitura acima de 50 indica expansão.

Em Kuala Lumpur, corretores disseram que o banco central da Malásia teria comprado dólares para conter a alta do ringgit, que chegou à máxima em três meses na quinta-feira. O banco teria comprado dólares em torno de 3,0810 e 3,0820 ringgits. O dólar estava em 3,0846 ringgits.

Em Seul, corretores suspeitam que o Banco da Coreia tenha entrado no mercado, comprando mais de US$ 500 milhões em intervalos entre 1.135, 1.136 e 1.140 wons. O dólar fechou em 1.134,80 wons, o que deixou a moeda coreana com ganhos de 2,6% no ano.

Em Bangcoc, o dólar estava en 39,15 baths - em queda em relação aos 30,16 do fim da quarta-feira -, com provável compra pelo banco central da Tailândia, disseram dois corretores.

Em Taipé, que vem tentando conter os ganhos do novo dólar de Taiwan - um favorito entre os investidores que procuram exposição à China, por causa de seus laços econômicos cada vez mais estreitos - o Banco Central da República da China (Taiwan) anunciou novas medidas para controlar o fluxo de capitais.

A partir de sábado, os bancos locais terão de destinar 90% dos novos depósitos de investidores estrangeiros às reservas, um grande salto em relação ao nível atual de 9,775%.

O banco central também elevou sua taxa de juro de referência em 12,5 pontos-base, na terceira elevação deste ano, enquanto buscar normalizar os custos dos empréstimos e desacelerar o mercado de imóveis. O presidente do banco central, Perng Fai-nan disse que a inflação deve acelerar no próximo ano.

Também nesta quinta-feira, o regulador financeiro de Taiwan disse que vai inspecionar o uso de recursos estrangeiros pelos bancos para determinar se há transações especulativas com a moeda local. Mais cedo, o Banco Central da República da China (China) disse que verificou estratégias de negócios "incomuns" num pequeno número de bancos, sem especificar quais.

Muitos bancos centrais da Ásia adotaram medidas regulatórias nos últimos meses para desacelerar as entradas de capitais e tornar seus sistemas bancários mais resistentes às movimentações de recursos estrangeiros.

Na quarta-feira, o banco central da Indonésia disse que aumentará o montante de reservas que os bancos comerciais precisam manter no banco central contra depósitos estrangeiros, entre outras medidas.

Para muitos países, a principal consideração tem sido garantir que suas moedas não subam demasiadamente a ponto de prejudicar a indústria exportadora. Mas as moedas valorizadas reduzem o custo dos importados, moderando as pressões inflacionários que estão aumentando na região por causa da alta dos preços das commodities. Por essa razão, muitos economistas esperam que as autoridades permitam que suas moedas subam mais.

Um diretor do Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) ecoou este sentimento, afirmando que uma valorização pequena, gradual do yuan representa mais benefícios do que custos para a economia chinesa.

Em artigo no Financial News, Sheng Songcheng, diretor do Departamento de Estatísticas e Análises do PBoC, disse que a alta do yuan em relação ao dólar desde que a taxa de câmbio foi tornada mais flexível teve apenas um pequeno impacto no emprego e no crescimento. Ao mesmo tempo, disse Sheng, a gradual alta do yuan reduziu os custos das importações e as pressões inflacionárias e levou as empresas chinesas a se tornarem mais competitivas.

O yuan se valorizou 3,4% depois de 19 de junho, quando a China prometeu ampliar a flexibilidade do câmbio, efetivamente encerrando o rígido atrelamento de dois anos da moeda ao dólar.

O Conselho de Estado, ou gabinete da China, tem a palavra final sobre as grandes linhas políticas, tais como a reforma do yuan. Mas o artigo de Sheng pode ser um reflexo da crescente confiança em que Pequim permitirá que o yuan suba mais sem consequências severas.

O dólar caiu à mínima recorde frente ao yuan nesta quinta-feira, depois que o PBoC, que controla rigidamente o câmbio, fixou a taxa de paridade dólar/yuan na marca de 6,6229, abaixo dos 6,6247 yuans por dólar da quarta-feira. Isso marcou a oitava sessão consecutiva em que o banco central fixa a paridade em baixa. As informações são da Dow Jones.

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