Bancos centrais enfatizam em Jackson Hole não encerrar estímulos

Se houve uma mensagem dos bancos centrais reunidos no retiro montanhoso de Jackson Hole durante o final de semana, foi esta: não esperem que aumentemos as taxas de juros no futuro próximo.

KRISTINA COOKE E MARK FELSENTHAL, REUTERS

23 de agosto de 2009 | 16h20

Uma série de palestrantes na conferência anual do Federal Reserve de Kansas, que atraiu a elite dos formuladores da política monetária de todo o mundo, saudou a aparente regeneração da economia global em depressão.

Mas eles ressaltaram que as economias estão se recuperando somente graças a estímulos extraordinários de governos e bancos centrais, e disseram ser cedo demais para falar em uma recuperação auto-sustentável.

"Fico um pouco inquieto quando vejo que, por termos alguns sinais positivos aqui e ali, já estejamos dizendo 'bom, estamos quase de volta ao normal'", disse na sexta-feira Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu (BCE0.

"Temos um trabalho enorme pela frente."

Como Ewald Nowotny, membro do conselho do BCE, disse à Reuters, parece haver um consenso entre os bancos centrais para não retirar seus estímulos muito cedo. "O que vemos agora é que a recuperação ainda é em grande parte patrocinada por medidas públicas", disse ele.

Nas palavras do professor da Universidade de Harvard Kenneth Rogoff: "Eles não querem voltar a algo de que acabamos de sair".

MUNDO INCERTO

Quando as autoridades se reuniram para esse evento no ano passado, os preços do petróleo na casa dos 150 dólares o barril levavam os bancos centrais a ficar de olho na inflação. Poucas semanas depois, o Lehman Brothers faliu.

Agora que Alemanha, França e Japão saíram da recessão e os EUA aparentemente também saindo da crise, os formuladores da política monetária desviaram suas atenções para a melhor forma de reduzir os enormes estímulos que ofereceram. Mas os passos ainda parecem tímidos.

Após a última reunião do banco central americano nos dias 11 e 12 de agosto, o órgão disse ver a economia se equilibrando. O chairman do Fed, Ben Bernanke, foi adiante na sexta-feira dizendo que "as perspectivas de um retorno do crescimento no próximo semestre parecem boas".

James Bullard, presidente do Fed de St. Louis, disse à Reuters que a promessa de juros baixos significa que os custos dos empréstimos vão se manter abaixo dos índices aos quais normalmente seriam elevados.

"Não acho que os mercados realmente entenderam o que isso significa", disse ele.

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