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Bancos centrais injetaram US$ 12 tri na economia em cinco anos

Para estrategista do BofA, investidores ficaram viciados nesse excesso e não será fácil retirar os estímulos

Altamiro Silva Júnior, correspondente da Agência Estado,

12 de junho de 2013 | 15h40

NOVA YORK - Os bancos centrais dos países desenvolvidos já injetaram US$ 12 trilhões nos mercados financeiros nos últimos cinco anos, de acordo com um levantamento do Bank of America Merrill Lynch. A retirada dos estímulos não será uma tarefa fácil para os governos e os investidores já estão ajustando seus portfólios, se antecipando a este movimento, afirma o estrategista-chefe de investimentos do banco, Michael Hartnett.

"Estamos vivendo uma revolução na política monetária mundial", disse Hartnett em uma entrevista à imprensa nesta quarta-feira para comentar as previsões do banco para a economia mundial. O BofA calcula que houve ao menos 500 cortes de juros no mundo nos últimos cinco ou seis anos, fora a injeção dos trilhões de dólares nos mercados. "Os investidores ficaram viciados nesse excesso de liquidez no mercado internacional."

Nos últimos dias, investidores procuraram os especialistas do banco norte-americano interessados em realocar carteiras frente à possibilidade de mudanças na política do Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano). Alguns querem sair de países emergentes para não correrem risco cambial, diz o economista responsável por mercados emergentes do BofA Merrill Lynch, Alberto Ades.

A discussão das mudanças na política monetária do Fed e de outros BCs foi o tema dominante da entrevista dos economistas do BofA Merrill Lynch a jornalistas hoje. "Temos um cenário nos Estados Unidos onde o Fed apoia o crescimento e os políticos em Washington reduzem a expansão da atividade", disse o economista global do BofA, Ethan Harris. Ele destacou que a atividade econômica do país está fraca, os efeitos dos cortes automáticos de gastos públicos ainda não ocorreram completamente e o Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano deve crescer apenas 1,8% em 2013.

Nesse ambiente, Harris acha mais provável que o Fed mude sua estratégia de compra de ativos apenas no começo de 2014. "A visão do Fed parece clara. Se o crescimento econômico se acelerar, o ritmo de compras será reduzido", disse o executivo, destacando que este não é o caso no momento. Mas Harris não descarta a possibilidade de alguma mudança este ano, ainda que pequena, na política do Fed. Para ele, é possível, dependendo de como vierem os próximos indicadores da economia, que o Fed faça ajustes nas compras mensais de ativo, mas em ritmo moderado, com a mudança mais significativa ficando para 2014.

A expectativa do economista é que, embora envolvendo vários riscos, o Fed tentará fazer mudanças suaves nos estímulos, para evitar um trauma nos investidores, que já se acostumaram com excesso de liquidez nos mercados.

Já os mercados emergentes, uma vez que o Fed começar a reduzir as compras, terão que lidar com juros mais altos no mercado de bônus, seguindo o aumento das mesmas taxas nos Estados Unidos, destaca Ades. Além do Fed, em meio à economia chinesa crescendo em ritmo um pouco menor e à queda dos preços das commodities nos mercados internacionais, Ades avalia que os países emergentes terão que achar outras fontes de crescimento econômico. "Esses países se beneficiaram de uma conjuntura favorável e não vimos muitas reformas acontecendo em anos recentes", disse ele, ressaltando que esse novo cenário pode levar a um aumento das reformas nas economias.

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