Bancos centrais reduzem ameaças sobre alta dos juros

O Federal Reserve, o Banco CentralEuropeu (BCE) e o Banco da Inglaterra reduziram nestaterça-feira as expectativas por aumentos agressivos nas taxasde juros para conter a inflação. O alívio inicial veio de autoridades do Fed que disseramseparadamente a dois jornais internacionais que o banco centralnorte-americano não deve elevar o juro nos próximos meses amenos que as perspectivas inflacionárias piorem. As reportagens, publicadas nas edições do Financial Times edo Wall Street Journal, citaram "autoridades do Fed" e disseramque as especulações do mercado de que o Fed poderia elevar ataxa de juro diversas vezes neste ano é provavelmente umexagero. "Eles (as autoridades do Fed) não contestam que o próximomovimento da taxa de juro dos EUA é provavelmente para cima.Mas eles sentem que o mercado pode estar precificando muitoantecipadamente um aperto muito forte", afirmou o FinancialTimes. O artigo do Wall Street Journal afirma que a reunião doComitê de Mercado Aberto do Fed, na próxima semana, "não deveir tão longe para atender as expectativas do mercado com umaalta no juro antes de agosto". PERSPECTIVAS MONETÁRIAS A queda do dólar foi limitada à medida que autoridades doBCE também fizeram comentários mais brandos em relação àperspectiva da política monetária. O membro da diretoria executiva do banco, Lorenzo BiniSmaghi, foi citado dizendo que uma alta de 0,25 pontopercentual na taxa básica de juro do BCE poderia ser suficientepara trazer a inflação da zona do euro de volta para o patamardesejado, abaixo de 2 por cento. "Em nossa visão, tal aperto da política monetária, que euclassificaria de importante, mesmo sendo de apenas 0,25 pontopercentual, deve ser o suficiente para trazer a inflação devolta para baixo da meta de 2 por cento nos próximos 18 a 24meses", disse ele em entrevista ao diário italiano Il Sole 24Ore, publicada nesta terça-feira. Após assustar os mercados de juros europeus no início domês com um alerta sobre a possibilidade de elevação da taxabásica em julho, os mercados financeiros já consideram a chancedo BCE promover um aumento de 0,25 ponto, para 4,25 por centono próximo mês, e um outro ainda neste ano. Economistas disseram que a mudança de tom ressalta o dilemada política macroeconômica enfrentado pelos bancos centrais àmedida que eles se deparam com sinais conflituosos de inflaçãocrescente e crescimento econômico declinante. "Eles estão olhando para o pico da inflação, mas toda vezque eles olham, o pico está um pouco mais alto", disse GeoffreyDicks, economista do RBS, em Londres. Ainda assim, as expectativas de alta do juro foram abatidaspelo Banco da Inglaterra nesta terça-feira, mesmo após adivulgação da inflação no Reino Unido em maio, que atingiu 3,3por cento --acima das previsões e mais de 1 ponto percentualacima da meta de inflação perseguida pelo banco. Em uma carta para o governo explicando a escalada dospreços, o banco central britânico afirmou que, enquanto ainflação pode ainda passar de 4 por cento neste ano devido aosaltos preços dos alimentos e dos custos de combustíveis, o fococontinua sendo trazer o indicador de volta para sua meta de 2por cento dentro de dois anos.

MIKE DOLAN, REUTERS

17 de junho de 2008 | 15h19

Tudo o que sabemos sobre:
MACROBCCONSOLIDA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.