Bancos consolidam 2º lugar em valor de mercado

O setor bancário se consolidou na vice-liderança em termos de valor de mercado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), desbancando de vez as empresas elétricas. Um estudo feito pela Economática (www.economatica.com.br), a pedido da Agência Estado, mostra que o conjunto das instituições financeiras ocupava em 1996 a terceira posição no ranking, com valor de mercado de US$ 22,916 bilhões. Ficava atrás apenas das empresas de telecomunicações, com US$ 44,742 bilhões, e das energéticas, com US$ 37,911 bilhões.O quadro mostrou as primeiras alterações dois anos depois, em 1998, quando os bancos assumiram a segunda colocação, com valor de mercado de US$ 24,975 bilhões, e as elétricas caíram para o terceiro lugar, com US$ 19,709 bilhões. Em 1999, a diferença se ampliou, com o setor de eletricidade perdendo o terceiro lugar parapetróleo (Petrobrás), com US$ 27,926 bilhões. No ano passado, a distância entre esses dois segmentos demonstra a consolidação e ampliação. Os bancos chegaram a US$ 31,901 bilhões, com as elétricas em US$ 16,373 bilhões. Uma diferença de US$ 15,5 bilhões (94,8%), ante US$ 11,211 bilhões em 1999. O cálculo da Economática baseou-se nas cotações de 31 de dezembro de cada ano. Para compor o valor de mercado, considerou-se o preço de fechamento da ação mais líquida de cada empresa, multiplicando-o pela quantidade total de papéis emitidos. Valorização deve-se a ganho de importância das instituições financeiras na BolsaPara especialistas, essa consolidação reflete o ganho de importância das instituições financeiras na Bolsa. Pela análise, os bancos possuem base sólida de ativos, além de estarem bem estruturados e capitalizados. "Os números refletem a eficiência do setor, sua grande capacidade de adaptação", afirmou o chefe de análise da Itaú Corretora, Reginaldo Alexandre. Segundo ele, os bons resultados de 2000 divulgados pelas instituições financeiras mostram que elas não tiveram problemas na busca por novas fontes de receita, após a redução dos juros e o controle da inflação.A perda de participação das elétricas, por sua vez, encontra explicação na privatização do setor. Os analistas lembram que alguns papéis tiveram valorização expressiva antes da venda das companhias. Quando assumiram a administração, os novos controladores fizeram ofertas de recompra das ações, diminuindo sua presença em Bolsa, nos chamados "fechamentos brancos" de capital.Na opinião de especialistas, será difícil uma alteração, pelo menos no curto prazo, do quadro apresentado no ano passado. "Os bancos tendem a ter valor de mercado menos reduzido que os outros setores, pois estão consolidados e não possuem produtos cíclicos, que podem sofrer com a sazonalidade", comentou um analista de um banco estrangeiro.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.