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Bancos cortaram 13% de linhas de crédito ao Brasil

Os bancos internacionais cortaram US$ 18,5 bilhões das linhas de crédito ao Brasil no primeiro semestre deste ano em relação ao final do ano passado, o que corresponde a uma redução de 13% no período. Em dezembro de 2001, os bancos estrangeiros tinham US$ 142,4 bilhões aplicados no País e em junho essa exposição caiu para US$ 123,9 bilhões. Os dados constam do primeiro "Relatório de Estabilidade Financeira" divulgado hoje pelo Banco Central. O documento é uma radiografia que a área de supervisão bancária do BC pretende divulgar semestralmente para dar mais transparência ao sistema financeiro nacional.Na avaliação do BC, a situação redução de crédito não deve se reverter a curto prazo. O diretor do banco, Ilan Goldfajn, disse que essas operações "pararam de cair", mas se estabilizaram em patamar bem inferior ao do ano passado. Goldfajn considera que a aversão ao risco é um fenômeno mundial, motivada pela queda de confiança dos empresários e do consumidor nos Estados Unidos e pela manipulação das demonstrações financeiras de grandes empresas internacionais. No caso do Brasil, os bancos apontaram as eleições presidenciais como outro fator para aumentar o "risco Brasil?. A normalização do fluxo de empréstimo deverá ser gradual para os países com baixo rating (classificação de risco), na estimativa de Goldfajn.O diretor de política monetária do BC, Luiz Fernando Figueiredo, considera que outro fator para a redução dos empréstimos é o "grande desconhecimento" por parte dos grandes bancos em relação ao Brasil. "Eles dizem que há consenso. Só que o consenso é sobre bases erradas", comentou Figueiredo. O relatório do BC, inclusive, mostra que os bancos estrangeiros são os que mais estão lucrando no Brasil. Segundo o relatório, os bancos lucraram R$ 9,8 bilhões no Brasil nos primeiros seis meses do ano, com os bancos estrangeiros respondendo por R$ 4 bilhões desse total (41,5%), os bancos privados por R$ 3,35 bilhões (34,2%) e os estatais por R$ 2,38 bilhões (24,3%).A excelente rentabilidade dessas instituições resultou basicamente de aplicações em títulos do governo, que superam as operações de empréstimo. Segundo o documento do BC, os bancos estrangeiros tinham R$ 93,9 bilhões aplicados em títulos públicos e R$ 85,5 bilhões em operações de crédito no final de junho.A situação é parecida com a dos bancos estatais, que tinham R$ 157 bilhões em títulos públicos e R$ 124 bilhões em operações de crédito. Apenas nos bancos privados os empréstimos (R$ 123 bilhões) superavam as aplicações em papéis do governo (R$ 92 bilhões) no final do semestre passado.SaúdeO relatório do BC sustenta que os bancos brasileiros estão com boa "saúde", apesar da instabilidade dos últimos meses. "O sistema superou grandes testes de estresse nos últimos anos com nota 10", afirmou o presidente do BC, Armínio Fraga. A diretora Tereza Grossi reforçou as afirmações de Fraga, reiterando que, apesar de toda a volatilidade no mercado financeiro dos últimos meses, "nenhuma instituição financeira" apresentou problema. "Estamos colhendo hoje o trabalho feito nos últimos anos, com o saneamento dos bancos privados, bancos estaduais e mais recentemente os bancos federais", complementou a diretora do BC. O presidente do BC reiterou a confiança nas propostas que estão sendo elaboradas pelo futuro governo. "Hoje nós temos sinais do governo eleito que vamos terminar, completar, este ciclo de reforma, afirmou. Ele acredita que o novo governo vai manter o câmbio flexível e outras reformas implementadas no governo Fernando Henrique, como a Lei de Responsabilidade Fiscal, as reformas na Previdência e a recuperação das finanças estaduais.

Agencia Estado,

25 de novembro de 2002 | 19h29

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