Bancos cortaram US$ 800 bilhões em empréstimos

Cortes foram feitos no fim do ano passado por instituições financeiras internacionais, diante das incertezas provocadas pela crise econômica global

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2012 | 03h05

No fim do ano passado, bancos de todo o mundo cortaram seus empréstimos internacionais em quase US$ 800 bilhões, numa demonstração da incerteza que ronda a economia internacional, das dúvidas sobre a solvência dos bancos e principalmente diante das dúvidas sobre a capacidade da Europa em superar a crise. Dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) apontaram que dois terços dessa queda ocorreram na Europa.

No caso do Brasil, bancos estrangeiros cortaram empréstimos de US$ 5,1 bilhões nesse período. O ano de 2011 terminou ainda assim com um saldo positivo de US$ 7,6 bilhões extras em empréstimos ao País por causa dos resultados dos trimestres anteriores. Mesmo assim, o volume extra foi bem inferior aos US$ 19,5 bilhões a mais em créditos que o Brasil conseguiu em 2010.

Mas tomando apenas as atividades dos bancos europeus no Brasil, os dados revelam o tamanho da crise na Europa. A redução de todos os bancos europeus no País chegou a U$ 55 bilhões, com um total de empréstimos em dezembro de US$ 361 bilhões. Seis meses antes, os empréstimos eram de US$ 416 bilhões.

Grande parte desse fenômeno se explica por causa dos bancos espanhóis no Brasil. Em dificuldades na Espanha, as instituições repatriaram lucros de suas filiais no País e cortaram empréstimos no valor de US$ 24 bilhões.

Segundo o BIS, porém, o Brasil não foi o mais afetado. Os casos mais graves estão justamente nos países ricos, principalmente na Europa. No total, os empréstimos para essas economias foram reduzidos em US$ 626 bilhões. A desconfiança entre os bancos ainda é elevada. No período avaliado, as instituições reduziram seus empréstimos mútuos em quase US$ 500 bilhões, num sinal de que tinham sérias dúvidas sobre a solvência de seus parceiros diante da crise da dívida na Europa.

O período já engloba a primeira metade do pacote de 1 trilhão injetado pelo Banco Central Europeu para permitir que os bancos voltassem a emprestar.

Emergentes. Os países emergentes foram bastante afetados. A redução de empréstimos foi de US$ 77 bilhões e grande parte dessa queda ocorreu na China. Juntas, as economias asiáticas perderam US$ 67 bilhões.

Já na América Latina, houve uma elevação dos empréstimos, em US$ 9,7 bilhões, o único continente no mundo a fugir da tendência geral. Outra região que se viu afetada foi a Europa do Leste, que perdeu U$ 14 bilhões em empréstimos estrangeiros.

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