Bancos culpam o déficit público pela falta de crédito

O presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Gabriel Ferreira, disse hoje, em seminário em São Paulo, que o déficit público e as formas de financiá-lo estão provocando a estagnação da economia, o que acaba inibindo a concessão de crédito pelo sistema financeiro. Ele culpou também a alta carga tributária e o recolhimento compulsório sobre depósitos dos bancos que, sengundo ele, é um dos maiores do mundo. Sobre a reforma tributária, Ferreira diz que o mínimo que se espera é a desoneração das exportações; a redução da tributação dos bens de capital; redução do compulsório; aumento na base de contribuintes e a eliminação da CPMF ou a possibilidade de seu uso como antecipação de pagamentos de tributos federais.Ele classificou como "raciocínio exótico" declarações de economistas de que sobram R$ 49 bilhões de recursos dos bancos para emprestar, levando-se em conta a necessidade de uma reserva de 11% do patrimônio dos bancos (Índice de Capitalização da Basiléia). Segundo esses economistas, a redução no compulsório só levaria a um aumento no lucro dos bancos.O presidente da Febraban contestou esse raciocínio, afirmando que o compulsório é parte do spread (diferença entre a taxa de captação e o empréstimo dos bancos) e onera o custo para o tomador de crédito. Para ele, adiar a redução do compulsório fará com que a redução nas taxas de juros fique restrita ao custo de captação. Para aumentar o crédito, Ferreira defende a aprovação da nova Lei de Falências que permita recuperação da empresa inadimplente e que se retire a primazia do Fisco no recebimento dos créditos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.