Mark Schiefelbein/AP
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Bancos da China enfrentam pior ano em mais de uma década

Ritmo do aumento do lucro dos maiores bancos do país caiu drasticamente de janeiro a junho; instituições devem ter o pior ano desde que começaram a listar ações há 13 anos

O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 14h01

PEQUIM - Os maiores bancos da China estão se esforçando para conter o aumento dos empréstimos inadimplentes, à medida que a economia se enfraquece e pesa sobre os pagamentos de dívidas, colocando as instituições a caminho do pior ano desde que começaram a listar ações há 13 anos.

O ritmo do aumento do lucro dos maiores bancos do país caiu drasticamente de janeiro a junho. O desempenho decepcionante aumenta as preocupações sobre a economia da China, que causou turbulência no mercado financeiro na última semana, varrendo pelo menos US$ 1 trilhão de dólares do mercado acionário chinês.

O Industrial & Commercial Bank of China (ICBC), o maior credor do país em ativos, anunciou que o lucro líquido no primeiro semestre subiu 0,6%, para 149,02 bilhões de yuans (US$ 23,27 bilhões), muito abaixo do crescimento de 7% no mesmo período do ano passado e metade da taxa de 1,4% no primeiro trimestre.

O Agricultural Bank of China, terceiro maior banco do país, teve um aumento no lucro líquido de 0,3%, para 104,32 bilhões de yuans, em comparação com 13% no ano passado e 1,3% no primeiro trimestre. Já o lucro do Bank of Communications subiu 1,5%, para 37,32 bilhões de yuans, em comparação com um ganho de 6% em 2014.

Os resultados sinalizam que os tomadores de empréstimos estão tendo problemas em pagar as dívidas. Os bancos chineses registraram aumentos de dois dígitos nos lucros após o boom de empréstimos iniciado em 2008. O movimento inverso acontece à medida que as dívidas azedam.

As instituições financeiras foram estimuladas a emprestar agressivamente a indústrias estatais e governos locais com a finalidade de afastar a crise. Agora, investimentos em cidades vazias com infraestrutura excessiva não estão entregando os retornos prometidos.

Enquanto isso, os devedores enfrentam excesso de capacidade em várias indústrias e demanda mais lenta, enquanto as vendas de terras são atingidas por um mercado imobiliário enfraquecido.

"O retorno dos empréstimos inadimplentes parece ser a principal razão para a desaceleração dos lucros, que, por sua vez, está afetando a capacidade de reposição do capital interno dos bancos", disse Sophie Jiang, analista do setor bancário da Nomura.

Os bancos chineses mantêm um nível "limpo" de dívida tóxica em seus livros. De acordo com o ICBC, a relação de empréstimos inadimplentes atingiu 1,4% do total de empréstimos, em comparação com 1,29% no final de março. O Bank of Communications registrou 1,35%, mais que 1,3% três meses antes. 

Estes níveis são baixos para os padrões globais, mas alguns analistas acreditam que a taxa reflete com precisão a qualidade dos ativos entre os bancos. Fonte: Dow Jones Newswires.

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