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BANCOS DA EUROPA TÊM 3.530 MILIONÁRIOS

Este é o número de executivos que receberam em 2012 mais de 1 milhão em moeda local

FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2013 | 02h13

Com quantos milionários se faz um sistema financeiro? Na Europa, são pouco mais de 3,5 mil. Isso é o que revela uma pesquisa feita pela Autoridade Bancária Europeia. Em 2012, exatos 3.530 executivos de bancos, fundos e corretoras receberam mais de 1 milhão (cerca de R$ 3,2 milhões) ou o equivalente em moeda local no acumulado do ano. Bancos de investimento lideram o pagamento dos altos salários especialmente aos que ocupam vagas no conselho executivo e nas áreas de gestão de riscos, auditoria e tecnologia da informação.

Principal praça financeira na Europa, o Reino Unido liderou com folga o ranking com 2.714 pessoas com rendimento anual acima de 1 milhão. Em seguida, aparecem Alemanha (212 executivos), França (177), Itália (109) e Espanha (100). "A maioria dos altos salários foi encontrada em funções com responsabilidade ampla, como no conselho executivo, gestão de riscos, auditoria, tecnologia da informação, comunicação, finanças corporativas, jurídico e recursos humanos", diz o estudo divulgado em Londres.

A entidade calcula a remuneração anual com base no salário somado aos bônus, contribuição da empresa em fundos de pensão e prêmios de longo prazo, entre outros benefícios. A coleta e a divulgação desses dados são previstas pela União Europeia. "O relatório faz parte das políticas para assegurar a tomada de risco prudente e sustentável do setor bancário", diz a Autoridade Bancária.

No Reino Unido, cada um dos quase 3 mil executivos embolsou, na média, o equivalente a 1,95 milhão - cerca de R$ 6,2 milhões por ano ou R$ 500 mil mensais. Boa parte desses salários tem relação com o cumprimento de metas pessoais, do departamento ou da instituição. Entre os ingleses, 79% dos salários milionários vieram de remuneração variável.

Ainda na Inglaterra, a maioria dos altos salários é paga pelos bancos de investimento, local de trabalho de 2.188 executivos listados na pesquisa. Ou seja, 80% dos que têm remuneração milionária estão nessas instituições. Entre as demais instituições financeiras, fundos de investimento têm 7,3% das pessoas e bancos de varejo pagam 2,3% dos salários mais altos. O restante está em outras entidades, como corretoras.

Sem milionários. Ao contrário dos gordos salários pagos na City em Londres ou no distrito financeiro Bankenviertel em Frankfurt, uma dezena de países europeus nem sequer entrou na pesquisa. Bulgária, Croácia, Eslovênia, Estônia, Islândia, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Malta e República Checa terminaram 2012 sem nenhum salário no setor financeiro acima de 1 milhão.

Nos países que estiveram no centro da crise dos últimos anos, há salários milionários, mas são raros. No Chipre, ilha que esteve no centro da confusão econômica nos últimos meses, três executivos ganharam juntos 6,6 milhões.

Na Grécia, apenas um entrou nessa faixa de remuneração: é uma pessoa que trabalha em banco de investimento e recebeu 1,247 milhão. Mesmo sem citar o nome, a pesquisa mostra que esse executivo grego conseguiu bater muitas metas no ano passado e 75% desse salário milionário veio de remuneração variável.

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