Bancos demoram para aderir a corte dos juros

Bancos e financeiras não estão com pressa para reduzir os juros. Um dia após o corte de 1,5 ponto porcentual na taxa Selic, anunciado pelo Comitê de Política Monetária (Copom), apenas dois dos grandes bancos divulgaram reduções nas taxas. Ontem, apenas o Itaú divulgou uma redução em suas taxas de cheque especial (máxima caiu de 9,50% para 9,35% ao mês) e crédito pessoal (máxima caiu de 6,60% para 6,45% ao mês). As novas taxas estarão em vigor a partir de segunda-feira. No dia anterior, logo após a reunião do Copom, o Bradesco havia anunciado taxas menores. Os bancos ABN Amro, Santander, HSBC e Unibanco informaram que ainda não vão reduzir suas taxas e as financeiras estão em compasso de espera. Na última reunião do Copom, em junho, quando houve redução de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros, os três maiores bancos do País - Bradesco, Itaú e Unibanco - reduziram as taxas de suas principais linhas de crédito, no mesmo dia da decisão do comitê. Miguel Ribeiro de Oliveira, presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), disse que não está surpreso. "No mês passado, mesmo com a redução de 0,5 ponto na Selic, algumas taxas dos bancos subiram", diz. De acordo com a pesquisa da Anefac, os juros médios do cheque especial subiram de 9,77% em maio para 9,79% em junho. Já a taxa para empréstimos pessoais caiu de uma média de 6,60% em maio para 6,57% em junho. Para quem precisa tomar dinheiro emprestado, a redução nas taxas anunciada pelos bancos não deve trazer muito alívio. O correntista do Bradesco que usa R$ 1 mil de limite de cheque especial por 30 dias, pagando a taxa máxima, deve economizar R$ 1,10 por mês com a redução. Para o cliene do crédito pessoal, no caso de um empréstimo de R$ 1 mil em 12 parcelas, a economia será de R$ 0,72 por prestação. Já o correntista do Itaú, nas mesmas condições, economizará R$ 1,15 nos juros de cheque especial e R$ 0,99 em cada prestação do empréstimo pessoal. As financeiras continuam cautelosas e esperam o mercado acomodar-se para ver se o seu custo de captação de recursos vai diminuir, e daí repassar essa baixa aos clientes. "Por enquanto não mudou nada, ainda estamos esperando o mercado apontar alguma direção", disse Ricardo Malcon, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi). O Banco Panamericano informou, por meio de sua assessoria, que vai esperar "alguns dias" para avaliar melhor o que fazer.

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