Reprodução/Banesco
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Bancos devem ter prazo de 90 dias para preparação do novo crédito rotativo

De acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Marcelo Noronha, as instituições financeiras mais perdem do que ganham com a mudança, mas que a modalidade vai reduzir a inadimplência

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2016 | 18h17

SÃO PAULO - Os bancos terão 90 dias para se adaptarem ao novo formato do crédito rotativo, quando o cliente atrasa ou não quita a fatura do cartão de crédito, com prazo final em março, de acordo com o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Marcelo Noronha. "Os bancos emissores já estão correndo para fazer adaptações necessárias antes mesmo da normatização que deve ser publicada pelo Banco Central", informou ele, em teleconferência com a imprensa, na tarde desta quinta-feira, 22.

A própria Abecs, de acordo com Noronha, aprovou na última quarta-feira, 21, em reunião extraordinária, uma recomendação para que suas associadas ofereçam o parcelamento da fatura para seus clientes. Acrescentou ainda que os bancos mais perdem do que ganham com a mudança no rotativo no curto prazo, mas que a modalidade vai dar uma nova dinâmica entre receitas e perdas, reduzindo, consequentemente, a inadimplência.

O Banco Central afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que a medida anunciada pela manhã pelo presidente Michel Temer, na área de cartões de crédito, está sendo estruturada pela instituição.

O Banco Central também confirmou, por meio da assessoria de imprensa, informações divulgadas hoje, tanto pelo governo, quanto por representantes do setor, de que "a proposta em estudo consiste no estabelecimento de prazo máximo para o financiamento de compras no cartão de crédito por meio do crédito rotativo, possibilitando a migração posterior para modalidade de crédito de menor custo". O BC, no entanto, não citou o prazo para migração.

De acordo com Noronha, as empresas associadas à Abecs não devem quebrar por conta da redução das taxas e limitação de prazo no rotativo. "A redução de taxas se dá por razões técnicas. Na hora que eu aumento o prazo médio da carteira e a de capacidade de pagamento usando o rotativo eu reduzo o comprometimento do consumidor para patamares muito menores", destacou o presidente da Abecs.

Ele afirmou ainda que a inadimplência vai ocorrer, mas que não é possível quantificar essa redução. Explicou ainda que as condições de prazo e taxas devem ficar a critério de cada banco. Atualmente, o parcelamento da fatura, conforme Noronha, é feito em até 24 meses e com taxas bem menores do que as cobradas no rotativo, de apenas um dígito.

As medidas anunciadas hoje para o setor de cartões, com foco no crédito rotativo, resultam do diálogo entre o sistema financeiro e o Governo Federal, de acordo com o presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli. Essas alterações ocorrem, na opinião do executivo, em um momento "oportuno" uma vez que o País se "prepara para entrar em um novo ciclo de crescimento".

"Acreditamos que as medidas irão contribuir efetivamente para a redução das taxas de juros do rotativo do cartão de crédito, a partir do aprimoramento da regulação e dos instrumentos de oferta de crédito", avalia Caffarelli

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